Airsoft noturno, encontro com o sobrenatural…

Eu jogo airsoft com meus amigos, os quais chamo de segunda família, e como bons amigos que somos, semanalmente nos encontramos para a prática do esporte, e na maioria das vezes jogamos aos domingos na parte da manhã. Algumas vezes fazemos jogos noturnos e num desses jogos aconteceram dois fenômenos atípicos e me arrepio cada vez que lembro e agora estarei relatando para vocês, uma dessas ocorrências…

O airsoft para aqueles que não sabem, é um jogo que simula situações militares, guerra, confronto, conflitos diversos, e as equipes se utilizam de réplicas de armas de fogo, mas que na verdade são brinquedos que atiram bolinhas de plástico hehehe…

O jogo noturno desse dia se passou no período de lua nova, e apesar do céu estar sem nenhuma nuvem e todo estrelado, a ausência da lua tornou todo ambiente muito escuro e sombrio. O campo de jogo era uma antiga cerâmica abandonada, todo cheia de ruínas pois o imóvel estava abandonado à muito tempo e já sofrera diversos saques, sobrando apenas paredes rachadas, parcialmente cobertas, muito entulho e mato por todos os lados.

Locais abandonados e ermos, são propícios para a prática do esporte mas nesse dia o mato alto prejudicou um pouco a movimentação dos operadores e optamos por nos posicionarmos próximos à areas de escape, local que tinha trilhas mais limpas, consequentemente mais fáceis pra caminharmos na escuridão…

Começado o jogo, nossa pupila se dilata com a escuridão e a adrenalina, rapidamente nossa visão se adapta à escuridão e começamos a enxergar melhor. No rosto, utilizo para proteção, uma máscara telada e um óculos com aquelas lentes amarelas que auxiliam muito no contraste e facilitam a visão noturna. Engraçado que bastam alguns minutos na escuridão e como num passe de mágica você enxerga muito bem e começa a ver a movimentação dos adversários, coisa que anteriormente você não via.

O pessoal costumava falar que o olho se acostuma com o escuro e isso é realmente verdade. A audição não sofre com a ausência de luz e ouvimos bem tanto no claro quanto no escuro e como disse anteriormente, o mato alto prejudica a movimentação e sobretudo a furtividade, uma vez que pisando no mato, vc faz barulho e isso “entrega” a sua posição… A pessoa pode não te ver no escuro, ela não te enxerga, mas o barulho faz com que as pessoas saibam que você está lá, naquele lugar…

Claro que a sua localização no jogo é estratégica e eu me posicionei muito bem num local com boa visão panorâmica, com acesso a rotas de fuga na parte frontal e com uma mureta nas minhas costas, com cerca de meio metro, cujo mato alto cobria toda sua extensão. Para subir, teria que abrir a mata, e isso era impraticável, pois o barulho que eu faria, me transformaria num alvo muito fácil…

Da mesma forma se alguém chegasse pelas minhas costas, eu ouviria todo mato sendo pisado, aberto e movimentado. O jogo estava corrido mais a frente e resolvi me mover em direção à ação, mas logo que fui me mover, eu ouvi muitos “cochichos” a questão de dois metros atrás de mim… Dentro do mato… Preparei minha arma, destravei para fazer os disparos, apontei para o local do “cochicho” e aguardei o momento para o disparo perfeito…

Repentinamente o cochicho se transformou em risadas e percebi que o tom da risada era de criança… E não era uma criança, eram pelo menos três crianças rindo de mim… Na hora eu pensei, o que crianças estariam fazendo dentro de uma mata densa, talos de colonião de três metros de altura, que cortam a pele facilmente, e no meio de uma cerâmica abandonada, em plena noite?…

Que pais irresponsáveis deixam crianças sairem a noite para se embrelharem no meio do mato ??? Esse é o raciocínio lógico, mas a lógica se perdeu no momento em que as risadas inocentes se tornaram gargalhadas horripilantes que se movimentavam de um lado a outro do mato, de forma muito rápida, sem balançar nenhum talo do mato, com a ausência do som característico de mato sendo pisado… Como assim? Quem estaria flutuando dentro do matagal, rindo de mim, indo de um lado a outro, se movimentando? Hora cochichando, hora dando risada, hora gargalhando horripilantemente…

Noite escura, local abandonado, o que poderia ser tudo isso? Não sei o que era tudo aquilo, sou cético, para mim, a ciência explica muita coisa, mas isso duvido que alguém consiga me explicar… Durou alguns segundos que para mim foram eternos, até hoje não entendi o que aconteceu…

Concomitantemente no outro lado, estava acontecendo outra atividade sinistra envolvendo outros operadores… (Contarei em outra oportunidade)… O que aconteceu nesse dia, tento me expressar em palavras, talvez jamais consiga exteriorizar a emoção daquele momento, não consigo explicar direito, não consigo entender, um sentimento de angústia, medo do sobrenatural, medo daquilo que não se entende, medo daquilo que não tem explicação coerente, medo do terror da eminência do que poderia ocorrer comigo em seguida…

Saí daquela posição, fui contar aos meus amigos o ocorrido, como também fez o outro operador envolvido na outra atividade… Alguns acreditaram, outros não… E vocês ? O que acham que ocorreu nesse dia ? Comentem por favor…

Essa é uma história real, contada por Cláudio T. Suzuki para o blog Superno.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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