Madalena quer um corpo…

Olá, meus agradecimentos ao blog Superno por publicar meu relato…

Não vou revelar meu nome verdadeiro por motivo de privacidade, tenho parentes aqui e não me sinto à vontade para contar essa história, porque alguns deles são céticos e não acreditam nessas coisas, mas eu sei o que eu vivi.

Eu estudei em uma escola onde o prédio era muito antigo, digo era, porque esse prédio já foi demolido anos atrás, hoje no local existe um novo prédio moderno e bem bonito, o qual, por motivos óbvios, não vou revelar a localização.

Na escola onde estudei, nem sempre foi uma escola, dizem que antes de ser uma escola, foi um local onde pessoas com problemas mentais eram internadas e que muitos morreram ali, mas isso é o que eu ouvia falar na época, boatos, não tenho provas de nada.

Essa escola tinha fama de ser assombrada, mas éramos proibidos de tocar nesse assunto dentro da escola, se alguém visse alguma coisa, tinha que ficar de bico fechado, ou a diretora nos desmentia e nos fazia passar por malucos na frente de todos.

Havia uma ala desativada nessa escola e ninguém podia ir até lá, éramos proibidos sob o risco de sermos expulsos. No entanto, sabem como é criança né? Isso só atiçava mais nossa curiosidade. Era a mesma coisa que dizer para irmos até lá.

Um dia, formamos um grupo de alunos, meninos e meninas, não me lembro quantos ao todo, mas devíamos ser uns cinco, por aí. Era dia de prova e quem terminasse primeiro poderia sair da sala e esperar no refeitório da escola.

Aproveitamos para fazer essa travessura. Essa ala estava bem abandonada, tinha salas de aula desativadas e um banheiro. Vou dizer uma coisa, se eu fosse um fantasma, até eu teria medo de ficar ali, eu nem queria saber como era aquele lugar a noite.

Fora isso, nada demais, apenas salas abandonadas, móveis empoeirados e algumas cadeiras quebradas. No entanto, existia algo ali, algo que nós não estávamos preparados para lidar e ainda não fazíamos ideia do que iria causar em nossas vidas…

Quando entramos no banheiro, ele estava em péssimas condições, os meninos brincavam e faziam piadas, mas eu literalmente fiquei petrificada, eu e a minha melhor amiga na época que aqui vou chamar de Júlia.

Ficamos poucos minutos ali, o suficiente para matar nossa curiosidade, mas logo voltamos, não queríamos que alguém nos pegasse ali. Esse passou a ser nosso segredo. Da minha parte, eu não estava disposta a voltar naquele lugar.

No entanto, depois daquele dia, a Júlia ficou muito estranha. Ela era uma menina muito alegre, sorridente, brincalhona, o normal para uma garota de treze anos, mas depois daquele dia, ela meio que se fechou no mundo dela.

Mais ou menos, uma semana depois da visita ao local, a Júlia me chamou e me revelou algo extremamente bizarro. Ela disse que naquele dia, ela viu uma menina, parada junto a parede, ao fundo, próximo ao último box.

Ela disse que não comentou nada, porque percebeu que ninguém mais estava vendo a garota e todos poderiam pensar que ela estava louca, ela teve medo de que os meninos começassem a caçoar dela, aqueles moleques não eram gente!

Ela me disse que depois daquele dia, ela passou a ouvir vozes, no caso, a voz dessa menina a chamando, para voltar ao local. A voz dizia a ela, que voltasse, porque ela, a “menina” tinha algo a lhe dizer…

Eu sei que essa menina ficou perturbada da cabeça, aérea, as vezes falávamos com ela e ela não respondia, era como se nem estivesse nesse mundo. Mas enfim, ela me pediu para voltar lá com ela. Sei que isso parece algo bem idiota a se fazer, pois é, creio que éramos bem idiotas na época, mas eu fui sim.

Passamos a voltar lá, sempre que conseguíamos despistar a todos. Chegávamos lá e ela me dizia ver a menina e olhem que coisa macabra, a menina disse para ela que se chamava Madalena e que ela havia tirado a própria vida ali, naquele banheiro. Foi uma das poucas coisas que ela me contou, porque na maioria das vezes, ela não me dizia sobre o quê conversavam.

No dia em que essa coisa, ou seja lá o que for, disse isso para a Júlia, eu gelei! Saí de lá na mesma hora. Depois disso passei vários dias com medo, dormia com a luz acesa, tinha a impressão de estar sendo vigiada, fiquei muito impressionada. Me recusei a voltar lá, então Júlia passou a ir sozinha…

Um dia, estávamos na aula e a Júlia parecia alterada, estava estranhamente alegre, uma alegria que beirava o inconveniente, um tanto até exagerado para sua personalidade, parecia até estar sob efeito de alguma substância, mas Júlia era uma garota ingênua, não se metia com coisas erradas, isso era improvável.

Ela me disse sorrindo:

“Descobri uma coisa que você não vai acreditar, Madalena não é uma menina…”

Então eu disse:

“É mesmo? Então quem ela é?

Bom, o que ela me respondeu, me faz arrepiar o couro cabeludo até hoje…

“Madalena me disse que é um demônio”.

Eu fiquei morrendo de medo e preferia não ter perguntado, mas a curiosidade foi maior e perguntei:

“Como você sabe? O que ela te disse?”

“Madalena era muito triste porque não tinha um corpo. Ela e a menina ficaram amigas, então Madalena pediu que a menina desse seu corpo para ela. Agora Madalena tem um corpo…”

As palavras da Júlia me assombraram de tal forma que eu não queria mais nem chegar perto dela, passei a evitá-la. Até minha mãe estranhou eu ter me distanciado dela porque éramos muito amigas, mas eu estava assustada. Comecei a ter pesadelos horríveis.

Em uma noite, sonhei com a Júlia, um sonho muito bizarro e que me marcou por anos, hoje penso que talvez fosse um aviso. No sonho ela parecia serena, um semblante feliz e me dizia “Madalena quer um corpo novo, vamos procurar um corpo pra ela?”… Ela me segurava pela mão e me puxava para brincar, depois eu não a via mais.

Na escola, a Júlia ficava cada vez mais estranha, passou a alternar entre estados depressivos e uma alegria absurda, uma personalidade extrovertida mas de uma maneira perturbadora, eu diria que até um tanto maldosa. Parecia que pessoas diferentes dividiam o mesmo corpo. Ninguém achou que isso fosse um problema, muito menos nós que éramos tão jovens, hoje eu enxergo com mais clareza.

Um dia desses, onde ela parecia depressiva, o último em que nos falamos, ela se mostrou arrependida e disse que nunca deveríamos ter ido até aquele lugar. Perguntei sobre sua amiga fantasma, mas ela disse que elas não eram mais amigas e que ela não voltaria mais naquele banheiro. No entanto, um dia depois de me dizer essas palavras, a Júlia desapareceu…

Me lembro vagamente de seus pais, falando com a diretora, em uma manhã. Júlia não tinha voltado para a casa depois da aula no dia anterior… Não me lembro muito bem quanto tempo demorou para encontrarem a Júlia, mas lembro que foi bem rápido, cerca de um dia depois.

Júlia foi encontrada desmaiada no banheiro da ala desativada. Ela chegou a ser socorrida e levada para um hospital da região, onde permaneceu em coma, vindo a falecer dias depois. Os médicos não souberam explicar o que havia levado Júlia a óbito, ao que parece, o coração dela simplesmente parou de bater. A polícia descartou a hipótese de suicídio.

Após a morte de Júlia, com o passar do tempo, os relatos de alunos vendo aparições só foram ganhando mais força. Por mais que a diretoria tentasse abafar os “boatos”, as histórias passaram a ultrapassar os portões da escola, o que só teve um fim com a demolição do antigo prédio.

Eu penso que o sonho que eu tive, foi um tipo de aviso, mas eu só tinha treze anos na época, eu não estava preparada para lidar com isso, eu não sabia o que fazer. Sei que se eu tivesse contado para alguém, talvez pudesse ter salvo a vida da Júlia, mas eu não fiz.

Hoje, madura e mãe de dois filhos adultos, esses pensamentos me assombram… Será que eu teria sido capaz de mudar o destino da minha amiga? Será que eu poderia ter mudado o curso da história? Jamais saberei…

Depois dessa experiência, passei a acreditar que existem forças espirituais nesse mundo que podem causar mal aos seres humanos. Tinha alguma coisa muito ruim naquele lugar, aquela coisa tirou a vida da minha amiga… Bom, esse é meu relato, obrigada a todos os que leram.

Essa é uma história real, enviada por uma leitora ao blog Superno. A identidade das pessoas envolvidas nessa história foi mantida em sigilo.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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