Betsy, minha amiga imaginaria…

Só estou contando essa história porque minha identidade será mantida em sigilo. Minha mãe nos deixou quando eu tinha apenas cinco anos de idade, foi embora nos deixando para trás com meu pai que trabalhava muito e todas as noites saía para beber, então não havia ninguém para cuidar de mim e da minha irmã mais velha, nós precisávamos nos virar sozinhas.

Depois que minha mãe foi embora, tivemos que nos mudar para uma casa mais barata e nessa casa, como de costume, eu passava muito tempo sozinha. Foi quando fiz amizade com uma menina em nosso novo bairro, o nome dela era Betsy.

Ela me mostrou onde ficavam os trilhos do trem e a casa da árvore destruída na floresta perto de nossa casa. Era a única amiga que eu tinha, nós brincávamos muito, eu me lembro dela claramente. Brincávamos de esconder na floresta, andávamos de bicicleta, fazíamos festas do pijama, coisas normais de garotas. No entanto, à medida em que fui ficando mais velha, comecei a vê-la cada vez menos, até que não a vi mais, ela havia me dito que iria se mudar para uma casa mais perto da escola que ela frequentava.

Muitos anos se passaram depois disso e há um tempo atrás eu estive com meu pai e minha madrasta, então toquei no assunto com eles e contei uma história sobre a Betsy. Meu pai começou a rir de mim e me disse que Betsy era imaginária. Então eu fiquei surpresa, achei que ele estivesse brincando e o corrigi, disse que ela era bem real, até citei que ela estava conosco quando fomos à casa da minha tia no dia de ação de graças.

Nessa hora meu pai me olhou sério e disse que a Betsy jamais existiu, que não havia ninguém conosco além da família naquele dia. Ele continuou falando que quando eu dizia que a “Betsy” tinha chegado, eu simplesmente subia para meu quarto, brincava e falava sozinha.

Eu confesso que fiquei em choque, não podia acreditar no que estava ouvindo e minha irmã confirmava tudo o que meu pai dizia.
Ainda em choque eu enviei uma mensagem para minha tia, mas ela também confirmou que eu estava sozinha naquele dia.

Eu poderia acreditar que era loucura da minha cabeça, que todos estavam certos e eu errada, que Betsy era uma espécie de fantasma ou era só minha imaginação, mas eu tenho certeza que eu não imaginei a Betsy, ela era real, pelo menos eu a via como uma pessoa real.

Eu me lembro muito claramente dela, de como ela era, sua voz e até tenho uma vaga lembrança de seu quarto, não de sua casa, apenas de seu quarto. Então para onde eu fui no dia da festa do pijama? Fiz essa pergunta ao meu pai e ele me disse que essa foi a razão de ele ter parado de beber…

Essa é uma história real. A identidade das pessoas envolvidas nessa história foi mantida em sigilo.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

Um comentário em “Betsy, minha amiga imaginaria…

  1. Grave erro dos pais, existem situações e situações, basta observar as atitudes dos filhos. Minha irmã mais nova tinha um amigo imaginário, um menino ruivo que entrava no berço dela pra beliscá-la e passava a noite andando em volta do berço. Minha mãe achou a história linda e deu o nome dele de Dedé, mas só eu via o terror no rostinho da minha irmã que teve que aguentar tudo até uns 5 anos de idade, que foi qdo ele foi embora.

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