Lançado ao mar no dia 26 de fevereiro de 1914, sob o olhar deslumbrado de centenas de espectadores, o Britannic era a esperança da White Star Line de apagar da memória do público a tragédia envolvendo o Titanic. A empresa tinha nas mãos a grande responsabilidade de limpar a má reputação e reconquistar a confiança dos passageiros…
A imprensa realizava várias entrevistas, enquanto um jantar especial era oferecido aos convidados em um evento que movimentou a cidade de Belfast. O Terceiro irmão, era a grande aposta da White Star Line para se reerguer, pois a empresa enfrentava dificuldades financeiras, após os prejuízos com a perda do Titanic e os acidentes com o Olympic…
Os irmãos Olympic…

O Olympic e o Titanic eram quase idênticos e baseados no mesmo design central. Algumas alterações foram feitas no Titanic e mais tarde no Britannic, baseadas na experiência adquirida no primeiro ano de serviço do Olympic…
O Britannic foi o terceiro dos três irmãos da Classe Olympic que reunia os três maiores transatlânticos da época, o RMS Olympic, o RMS Titanic e o HMHS Britannic. Os três foram projetados pelos engenheiros navais Alexander Carlisle e Thomas Andrews com objetivo de serem os maiores, os mais luxuosos e os mais seguros navios do mundo. Como se dizia na época, eles foram projetados para serem “inafundáveis”…
Eles nasceram devido à forte concorrência entre o Reino Unido e o Império Alemão no setor de construção de navios comerciais. As duas maiores empresas alemãs do ramo, começaram no final do século XIX a entrar na corrida da construção dos maiores e mais velozes navios do mundo.
A White Star Line, já tinha uma série de quatro navios de luxo, os irmãos “Big Four”, que consistiam no Céltic, Cédric, Báltic e o Adriátic. No entanto, ao invés de terem sido projetados para concorrer em velocidade, eles foram projetados para serem mais luxuosos que seus rivais. Logo, a popularidade dos “Big Four” da White Star Line, acabaria sendo superada pelo Lusitânia e o Mauretânia da Cunard.
Para não ficar para trás, em 1907, Joseph Bruce Ismay, presidente da White Star Line e o Lorde William Pirrie, presidente dos estaleiros da Harland and Wolff, decidiram construir mais três navios, de proporções e luxo inigualáveis. Seus nomes foram depois definidos como Olympic, Titanic e Gigantic (depois alterado para Britannic), em referência a três raças da Mitologia Grega, Olimpianos, Titãs e Gigantes, com o objetivo de equiparar seus navios à grandeza dos deuses…
Dos irmãos, o Olympic foi o primeiro a nascer, seguido pelo Titanic. Ambos foram construídos lado a lado. A construção do Titanic se iniciou quatro meses depois, em 22 de março de 1909. Antes de serem nomeados, o Olympic era chamado de “número 400” devido ao número de seu casco, enquanto o Titanic era o “número 401”.
O Olympic manteve o título de maior transatlântico do mundo até o lançamento de seu irmão mais novo Titanic, que tinha as mesmas dimensões, porém com maior tonelagem bruta. Eles foram os primeiros do trio a serem lançados pela White Star Line. Para diferenciá-los, o Olympic foi todo pintado de branco, enquanto o Titanic foi pintado de preto. Isso também tornava as linhas dos navios mais nítidas nas fotografias que na época eram em preto e branco.
Embora o Olympic tenha sofrido alguns acidentes durante sua tragetória, sendo a colisão com o cruzador britânico HMS Haweke, em 20 de setembro de 1911 o mais relevante, nada foi relativamente grave a ponto de afundá-lo. Se isso tivesse acontecido, certamente teria culminado em um grande número de perda de vidas, como na tragédia do Titanic, pois como eram muito parecidos, eles apresentavam o mesmo problema relacionado ao número insuficiente de botes salva-vidas…
O fato do Olympic ter sofrido uma colisão tão grave e permanecer à tona, só reforçou sua reputação de “inafundável”. Nessa época, o navio estava sob o comando do capitão Edward John Smith, que mais tarde estaria no comando do Titanic e perderia sua vida no naufrágio…
Só após o desastre com o Titanic, é que 40 botes desmontáveis foram transferidos de navios de tropas e colocados no Olympic, no entanto, muitos estavam apodrecidos e não abriam. Os tripulantes, então, enviaram um pedido ao gerente da White Star Line para que os botes desmontáveis fossem substituídos por botes salva-vidas de madeira.
O gerente respondeu que isso era impossível e que os botes desmontáveis haviam sido aprovados por um inspetor da junta comercial e estavam em boas condições de uso. Os homens não ficaram satisfeitos com a resposta e pararam de trabalhar em protesto…
A construção do Britannic, foi iniciada em 30 de novembro de 1911. As obras progrediram em um bom ritmo, até serem paralisadas pelo naufrágio do Titanic. O desastre acarretou em várias mudanças no projeto, incluindo um número maior de botes salva-vidas e a mudança do nome.
O Olympic, o Titanic e o Britannic tinham 269 metros de comprimento por 28 metros de largura e 53 metros de altura, possuindo dez conveses ao todo, sete dos quais eram destinados aos passageiros. A tonelagem total ficava por volta de 46 mil toneladas, sendo o Britannic, o mais volumoso dos três.
Embora os três gigantes do mar, estivessem equipados com o melhor da tecnologia da época e tivessem custado muito caro para os cofres da White Star Line, o único a ter êxito de fato foi o Olympic, que teve uma vida longa e próspera, sendo lançado ao mar no dia 20 de outubro de 1910 e se aposentando em 1935, com um curriculum invejável.
O Olympic completou 257 viagens de ida e volta através do Atlântico, transportou 430.000 passageiros em suas viagens comerciais e viajou 1,8 milhão de milhas, o que lhe rendeu o título de “Gigante confiável”.
O Olympic foi retirado de serviço e vendido como sucata em 12 de abril de 1935 sendo demolido em 19 de setembro de 1937. Apesar do fracasso de dois dos irmãos Olympic, essas embarcações ficaram eternizadas como as mais famosas do mundo. Na época da aposentadoria do Olympic, o engenheiro chefe do navio chegou a comentar:
“Eu poderia entender a necessidade se a “Velha Senhora” tivesse perdido sua eficiência, mas os motores estão tão bons quanto antes…”
Muitos itens do Olympic foram leiloados e até hoje, muitos de seus elementos decorativos adornam lugares como hotéis e outros navios. Embora o Titanic e o Britannic não tenham sequer conseguido completar sua primeira viagem comercial, eles ganharam muita notoriedade, sendo o Titanic o mais ilustre dos irmãos e o que até os dias de hoje é lembrado, servindo de inspiração para quinze filmes e inúmeros livros.
O Britannic…

Em 1915, o Britannic foi requisitado pela Marinha Real Britânica, sendo transformado em navio hospital durante a Primeira Guerra Mundial…
O HMHS Britannic foi um transatlântico de luxo construído pelos estaleiros da Harland and Wolff, em Belfast, para a White Star Line, com o objetivo de ser um navio de passageiros, com seu lançamento comercial previsto para a primavera de 1915, no entanto, ele nunca chegou a operar seu papel pretendido…
Sua construção começou em novembro de 1911. Após o naufrágio do Titanic, a White Star Line precisava trabalhar duro para não amargar mais um prejuízo gigantesco, então, o projeto do Britannic foi alterado, incluindo mais botes salva-vidas dentre outras alterações, para fazer do terceiro irmão, o maior, o mais seguro e o mais luxuoso de sua classe…
Ele foi projetado para acomodar até 2.579 passageiros divididos em três classes. Além disso, sua tripulação prevista era de 950 pessoas. Os novos compartimentos estanques adicionados ao projeto, permitiam que o Britannic se mantivesse à tona com até seis compartimentos inundados.
Além disso, foram instalados enormes turcos (um turco é qualquer um dos vários dispositivos semelhantes a guindastes usados em um navio para apoiar, levantar e abaixar equipamentos como botes e âncoras) a fim de permitir que os botes fossem abaixados com maior rapidez mesmo que o navio estivesse adernando para um dos bordos.
A primeira classe teve suas instalações melhoradas. As crianças, anteriormente vistas como uma irritação, começaram a ser consideradas como clientes a serem satisfeitos, com uma sala de jogos especial sendo colocada no convés dos botes, ao lado do ginásio.
Parte das mudanças feitas no Britannic eram estéticas. Seu casco foi pintado de branco com uma listra verde e três cruzes vermelhas de cada lado iluminadas por lâmpadas. Essa transformação improvisada implicou em problemas com os botes salva-vidas, pois somente cinco dos oito turcos gigantes tiveram tempo de serem instalados.
Assim como o Olympic e o Titanic, as instalações e acomodações da primeira classe contavam com uma majestosa escadaria, sendo a do Britannic, ainda mais suntuosa. Como o navio nunca chegou a realizar viagens comerciais, seus elementos decorativos e mobílias, foram armazenadas, durante sua conversão para navio de assistência hospitalar durante a guerra.
Após sua mudança para navio hospital, o Britannic tinha espaço o suficiente para acomodar 3.309 pacientes, mais tripulantes, médicos e enfermeiros, fazendo com que o total de pessoas a bordo chegasse a 4.473, mais de mil acima de sua capacidade em serviço comercial. Sua capacidade era tanta que várias balsas eram necessárias para embarcar e desembarcar pacientes.
O Britannic foi declarado apto para o serviço em 12 de dezembro de 1915, recebendo uma equipe médica de 101 enfermeiros, 336 suboficiais, 52 oficiais e tripulação de 675 pessoas. Dois dias antes de partir o navio se encontrou com o Olympic em Liverpool, a única ocasião em que os irmãos puderam ser vistos juntos…
O naufrágio…

A tão esperada fama para o terceiro irmão como o navio de passageiros mais luxuoso e seguro da história, jamais sairia dos sonhos de Joseph Bruce Smay…
A primeira viagem do Britannic como navio hospital, foi marcada por duas mortes causadas por tuberculose e o desaparecimento de um homem que caiu no mar. Sua segunda viagem foi mais curta, indo apenas até Nápoles e retornando. Ao voltar o Britannic permaneceu durante quatro semanas perto da Ilha de Wight como um hospital flutuante.
A terceira viagem ocorreu entre vinte de março e quatro de abril. Nessa ocasião, um homem morreu de diabetes no último dia. Ao final dessa viagem, o Britannic foi dispensado do serviço por não ser mais considerado necessário, sendo devolvido para a White Star Line que o enviou para Belfast a fim de passar pelos trabalhos necessários, para finalmente servir como um navio comercial.
No entato, isso jamais aconteceria…
No dia 28 de agosto de 1916, ele foi novamente convocado para o serviço, partindo para sua quarta viagem…
A vida a bordo do Britannic seguia uma rotina fixa. Os pacientes eram acordados e higienizados às 6h. O café da manhã era servido às 6h30 e no mesmo horário o capitão fazia uma inspeção. O almoço era servido às 12h30 e o chá da tarde às 16h30. Os pacientes eram atendidos entre as refeições e aqueles que desejavam caminhar podiam andar pelo convés, contanto que não usassem uniformes militares para não provocar ataques.
No dia 9 de outubro, o Britannic partiu para sua quinta viagem. Esta nova jornada foi marcada por uma quarentena oficial que todos a bordo tiveram que passar assim que chegaram em Mudros. A tripulação tinha sofrido uma intoxicação alimentar e o navio permaneceu atracado…
No dia 12 de novembro de 1916, sob o comando do capitão Charles Bartlett, um respeitado comandante da White Star Line, o Britannic partia para sua sexta e última viagem. Estavam à bordo o engenheiro chefe Robert Flemming e o cirurgião chefe John Beaumont.
Ambos estavam acostumados com os navios da classe por já terem servido a bordo do Olympic. John Beaumont afirmou que o Britannic era “O navio hospital mais maravilhoso no qual ele já havia navegado”…
Dez dias após sua partida, o terceiro irmão encontraria seu destino nas águas do mar Egeu…
Durante a manhã do dia 21 de novembro de 1916, por volta das 8h12, o Britannic sofreu uma explosão enquanto passava pelo canal entre as ilhas de Kea e Makronisos, abrindo um enorme buraco no lado estibordo de seu casco.
A equipe hospitalar estava no refeitório tomando seu café da manhã, quando se deram conta do que estava acontecendo. No entanto, devido à memória do evento ocorrido com o Titanic, a tripulação de imediato tomou providências, pois já tinham consciência da gravidade da situação…
Os poucos pacientes e feridos foram levados para o convés. Da mesma forma, todos os enfermeiros foram reunidos pelo capitão Renton e também levados ao convés. Por fim, o major Priestley reuniu seu destacamento do Corpo Médico da Armada Real para inspecionar todas as cabines e garantir que ninguém havia sido deixado para trás.
O dano causado ao Britannic, além de abrir um buraco nos compartimentos três e quatro, também danificou os compartimentos adjacentes. O corredor de ligação da sala da sexta caldeira com os alojamentos também foi inundado, fazendo com que a água entrasse nas caldeiras. Em uma velocidade muito maior do que o ocorrido com o Titanic, o Britannic foi inundado em apenas alguns minutos.
O Britannic havia sido projetado para amenizar esse tipo de problema, no entanto, várias das janelas e escotilhas haviam sido abertas durante a viagem para poder arejar a embarcação o que possivelmente pode ter facilitado a entrada da água, inundando os compartimentos que haviam ficado intactos.
O navio começou a adernar para estibordo. Um sinal de SOS foi enviado imediatamente para todas embarcações próximas. O navio HMS Heroic respondeu ao chamado, juntamente com o cruzador HMS Scrouge, que estava ocupado em uma missão para tentar desencalhar outro navio que havia batido em uma mina aquática, porém rapidamente mudou seu curso para ir ao resgate do Britannic.
A equipe hospitalar começou a se preparar para a evacuação. O capitão Bartlett deu a ordem para que os botes salva-vidas fossem preparados, porém não autorizou seus lançamentos. Todos a bordo correram para pegar seus pertences valiosos antes de saírem do navio.
Ciente da inundação da caldeira, porém subestimando os danos, o capitão Charles Bartlett decidiu levar o navio para a praia da ilha de Kea e ordenou que as máquinas entrassem em ré. Ele conseguiu virar a embarcação, porém isso acabou acelerando a entrada de água…
O capitão planejava primeiro parar as máquinas antes de lançar os botes, depois tentar encalhar o navio. O navio adernava cada vez mais à medida que Bartlett continuava sua manobra em direção a ilha de Kea. Antes que o capitão pudesse agir, a tripulação apavorada no convés começou a temer que o adernamento ficasse muito grande e decidiram lançar os primeiros botes sem a permissão do capitão.
Dois botes foram lançados no lado bombordo, no entanto, as hélices nesse momento estavam quase no nível d’água e criaram um efeito de sucção que puxou os botes, destruindo-os imediatamente. Sem conhecimento da destruição dos botes, o capitão Bartlett finalmente parou as hélices, então a evacuação pôde começar a ser feita…
No lado bombordo um dos oficiais conseguiu manter a disciplina e evitar que uma multidão superlotasse um dos botes, no entanto, um grupo indisciplinado tomou a iniciativa de lançar os botes no convés da popa. O reverendo Flemming, conseguiu guiar pequenos grupos e distribuí-los ordenadamente nos botes.
Em poucos minutos o Britannic ficou vazio, com o último bote sendo lançado às 9h00. O capitão Bartlett permaneceu a bordo decidido a salvar o navio a todo custo. Ele tentou religar as máquinas na esperança de alcançar a ilha de Kea, porém desistiu quando viu a proa quase totalmente submersa. Ele foi o último a abandonar o navio, pulando da ponte e nadando até conseguir entrar em um dos botes.
Enquanto a popa se erguia para fora d’água a proa bateu no fundo do mar, pouco mais de cem metros abaixo. O Britannic adernou completamente para estibordo, desaparendo da superfície às 9h07…
Das 1.125 pessoas a bordo no momento do naufrágio, 30 morreram e 45 ficaram feridas…
O Scrouge havia recebido o pedido de socorro do Britannic às 8h15, indo para o local do naufrágio acompanhado por dois rebocadores franceses. No entanto, os primeiros a resgatar os náufragos foram os pescadores da ilha de Kea.
No momento do naufrágio, 35 botes salva-vidas haviam sido lançados. As pessoas que haviam caído ou pulado no mar, conseguiram nadar até esses botes ou foram resgatados pelos pescadores…
Felizmente para esses passageiros, o cenário era bem diferente do ocorrido no naufrágio do Titanic e eles não precisaram suportar um mar congelante. Além disso, o Britannic estava equipado com dois barcos a motor que auxiliaram no resgate dos náufragos.
Muitos dos sobreviventes foram levados para Kea, onde receberam pronto auxílio de seus habitantes. O Scrouge chegou no local às 10h e resgatou 339 pessoas. O Heroic havia chegado pouco antes e conseguiu recuperar 494 sobreviventes. Ambos os navios não tinham condições de acomodar mais pessoas, então o contratorpedeiro HMS Foxhound assumiu o resgate às 11h45.
No total, 1.036 pessoas foram resgatadas. Os sobreviventes mais feridos foram transferidos para os dois barcos a motor do Britannic e levados até à baía de São Nicolau no noroeste de Kea. Alguns sobreviventes também foram passados para o HMS Duncan, onde a tripulação foi particularmente atenciosa com os enfermeiros…
Embora as causas exatas do naufrágio fossem totalmente desconhecidas até então, a imprensa britânica pensou se tratar de uma ação inimiga e aproveitou para atacar a “barbárie alemã”. Durante meses noticiaram o caso, supondo que os motivos do naufrágio se tratassem do ataque de um submarino alemão.
A principal dúvida era se o navio tinha afundado pelo disparo de um torpedo ou se ele havia colidido com uma mina aquática. Os testemunhos e as provas levavam a ambas as hipóteses…
Em teoria, o Britannic havia sido construído para resistir esse tipo de choque, então outros dois fatores foram pensados para explicar o naufrágio. O primeiro era que algumas portas estanques não foram fechadas, enquanto outras foram rapidamente abertas para que a tripulação pudesse chegar em seus aposentos e pegar objetos pessoais. Outro fator, seria o fato das janelas terem sido abertas.

Em 3 de dezembro de 1975, os destroços do Britannic foram descobertos pelo explorador francês Jacques Yves Cousteau, localizados a apenas 120m da superfície. Ele entrou nos destroços pela primeira vez no ano seguinte com o auxílio de mergulhadores.
O campo de destroços foi explorado pelo pequeno submarino SP-350. Alguns itens foram recuperados e um documentário foi produzido para a série de televisão “As Odisseias Submarinas de Jacques Cousteau”…
O que foi encontrado, desafiava a tese do torpedo. Os pesquisadores deduziram que uma segunda explosão ocorreu dentro do navio, tendo sido causada por um incêndio nos depósitos de carvão. No entanto, essa suposição foi desmentida em 1999 quando se descobriu que os depósitos de carvão da embarcação estavam todos intactos…
Também foi mencionada uma explosão possivelmente causada por dispositivos médicos ou armas secretas que estavam sendo transportadas, porém não há nenhuma evidência que apoie essa teoria. A descoberta na década de 2000 de várias minas aquáticas ainda ancoradas na região do naufrágio deram grande força para a teoria da colisão com uma mina, com essa sendo a causa mais provável do naufrágio do Britannic…
No entanto, ao que parece, esse mistério jamais será desvendado…
O maior navio naufragado do mundo, hoje repousa em seu lado estibordo, impossibilitando medir diretamente a extensão dos danos causados pela explosão, com uma enorme ruptura à frente da ponte de comando que separa o resto do navio de sua proa.
Sua magnitude é muito grande para ter sido causada por qualquer explosão, sendo mais provável que ocorreu pela pressão exercida pelo navio enquanto estava afundando, quebrando justamente no local mais frágil quando a proa atingiu o fundo do mar.
Seus destroços nunca foram resgatados e ele foi substituído na frota da White Star Line, depois da guerra, pelo RMS Majestic…
Os sobreviventes…

Durante o naufrágio do Britannic, Violet Jessop estava preocupada em salvar sua escova de dentes, segundo ela, foi o item do qual ela mais sentiu falta após naufrágio do Titanic…
Dentre os sobreviventes do Britannic, estavam dois passageiros com histórias simplesmente impressionantes. Isso porque eles haviam sobrevivido anteriormente ao acidente com o Olympic e ao naufrágio do Titanic…
A comissária de bordo e enfermeira argentina Violet Costance Jessop e o bombeiro e foguista inglês Arthur John Priest, estavam no Olympic quando ele colidiu com o cruzador, HMS Hawke e estavam a bordo do Titanic no dia de seu naufrágio. Seriam ambos absurdamente sortudos, ou eram tão azarados que levaram essa má sorte para as embarcações da White Star line?…
Violet sentia-se realizada com o trabalho a bordo do Olympic e estava ansiosa para trabalhar no Titanic. Seus amigos acharam que seria uma ótima experiência, por isso Violet seguiu o seu conselho e subiu a bordo na manhã do dia 10 de abril de 1912, levando consigo, uma cópia de uma oração hebraica traduzida para o inglês que uma velha mulher Irlandesa havia lhe dado.
Quando o Britannic começou a afundar, ela conseguiu subir no primeiro bote a ser lançado, o bote que foi sugado e destruído pela hélice do navio. Violet pulou do bote mas a sucção fez com que ela batesse a cabeça contra a quilha do navio deixando-a temporariamente inconsciente. Um dos outros botes salva-vidas a retirou do mar.
Violet Constance Jessop faleceu de insuficiência cardíaca no dia 5 de maio de 1971, aos 83 anos…
Arthur Priest, por sua vez, sobreviveu a nada menos que duas grandes colisões e quatro naufrágios, na lista estão, o RMS Titanic, o HMS Alcantara, o HMHS Britannic e o SS Donegal. Devido a essa sorte (ou azar), ele ganhou o apelido de “o foguista inafundável”…
Após o naufrágio do SS Donegal, Arthur Priest se aposentou do trabalho no mar e deixou seu emprego de foguista, vivendo o resto de seus dias em Southampton, com sua esposa Annie. Ele afirmou que depois desses desastres, ninguém mais queria navegar com ele, afinal, se ele era um azarado, ninguém iria querer se arriscar…
No entanto, o “foguista inafundável”, morreu em 1937, aos 49 anos, de pneumonia…
Algumas cerimônias foram realizadas para honrar e lamentar as vítimas do naufrágio do Britannic…
Pesquisa e texto de Felícia Elen para Superno.