A noiva de branco na estrada… (Relato 11)

No começo dos anos 70, um grande evento agitava a alta sociedade Ourinhense… O casamento do ano, o enlace matrimonial mais esperado de todos os tempos… De um lado o herdeiro de uma grande cerâmica (a maior olaria do Estado), do outro lado a filha de um grande comerciante do setor de calçados, detentor de inúmeras lojas na cidade e na região…

Casamento chique tem convidados chiques, quase um desfile de moda, claro, todos estarão muito bem vestidos, bem trajados, mas nenhuma convidada estará tão bela, tão linda e reluzente quanto à noiva… A noiva é um caso a parte… Com seu vestido alvo, com longa cauda, bordado, pedrarias, decote, véu, grinalda, tudo costurado à mão, era a perfeição mais cara que o dinheiro poderia pagar…

O conjunto “Noiva e Vestido”, fora considerada na época, pelos mais entendidos em moda, como a obra prima ” State of The Art”, do mais renomado estilista da Capital São Paulo !!! Quem viu, disse que não teria como ser mais belo, que não teria na face da Terra, outro vestido tão lindo e perfeito quanto aquele !!!

O noivo por sua vez teria ido à capital também para tirar medidas para seu terno e não teria gostado de nenhum corte, nenhum tecido e de nenhum estilista brasileiro…
Preferiu ir para o exterior atrás do conceito e do melhor corte, do melhor tecido, do melhor terno, então procurou na Itália, o mais renomado estilista da Europa…

Gente rica é assim…
Gente rica quer…
Gente rica pode…

Gente normal só sonha em se casar um dia, qualquer dia, não precisa de glamour não, gente como a gente só quer casar e ser feliz !!! Só isso… Simples assim… Agora gente mesquinha e invejosa, essa gente pragueja, deseja o mal pro casal, roga praga torcendo contra desde o começo, torce pra que tudo dê errado…

E deu…

Após voltar de sua viagem pra Itália, na saida do aeroporto, feliz com a missão cumprida, já com o caríssimo terno de grife italiana no porta mala do carro, morrendo de saudade da amada, o noivo sofre um grave acidente na estrada e veio a falecer, bem como veio à óbito o motorista e as duas sobrinhas, inocentes crianças que seriam as “daminhas de honra” do casamento…

Comoção na cidade, luto decretado… A cidade toda parou… Todas as cerâmicas fecharam, lojas de calçados e comércio em geral também baixaram as portas… Em respeito ao luto e solidários à dor da família, os funcionários, amigos e grande parte da população permaneceram concentrados no velório…

Enorme aglomeração local, alta concentração de pessoas, e todas elas sem exceção, puderam ser testemunhas oculares de quanto o finado noivo era querido…

Após todas as homenagens do funeral e concluído definitivamente a solenidade do enterro, uma chuva torrencial caiu sobre a cidade… Em meio ao caos provocado pela densa precipitação que “varria” o cemitério… Todos corriam para saída, todos buscavam abrigo e proteção…

Em meio à tempestade, raios, relâmpagos e trovões ensurdecedores, somente uma única pessoa ainda permanecia ali, inerte, estática, solitária, triste… A pálida noiva…

Na mesma noite…

Abalada por todo o ocorrido… Trajando seu lindo vestido de noiva branco…

Branco de pureza…
Branco de tristeza…
Branco de desespero…
Branco suicida…

Ela resolveu se atirar do Pontilhão…

A noiva morreu…

Lá embaixo, na estrada, o vestido branco ficou vermelho… O preto do asfalto ficou vermelho… Sangue… Sangue… Muito sangue…

Dizem que até hoje, em noites de chuva, uma figura toda de branco percorre o acostamento da estrada, as vezes próximo ao pontilhão, as vezes próximo ao seminário…
Muitos motoristas já presenciaram o fato… Muitos motoristas já viram !!! A Noiva de Branco…

Obs… Quem acompanha meus relatos, sabe que meu relato do Airsoft Noturno se passou em uma “Cerâmica abandonada”… Sabe também que eu ouvi  entidades que pareciam “crianças” nessa ocorrência… Sabe ainda que na mesma ocorrência, um operador viu uma entidade “adulta” deitado em meio à penumbra…

Seria SINISTRO achar que as ENTIDADES que presenciei naquela atividade, naquela ocorrência, seriam o finado NOIVO “herdeiro” da CERÂMICA e as crianças, todas vítimas daquele fatídico acidente ???

MUITO SINISTRO…
MUITO SINISTRO…

Essa é uma história real, contada por Cláudio T. Suzuki para o blog Superno.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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