Lá em casa não costumávamos acreditar em assombrações. Meus pais sempre foram muito céticos em relação a isso, nunca foram religiosos, então crescemos assim, até por volta dos meus treze anos de idade, quando presenciamos fatos e acontecimentos inexplicáveis, que nos levaram a crer, que existe algo muito além desse mundo, que foge à nossa compreenção.
Certo dia, meu pai chegou em casa com um relógio antigo que ele comprou em um antiquário. De fato era um objeto muito interessante, meus irmãos e eu ficamos encantados com aquele relógio, era uma peça muito requintada, acoplada a uma caixa de madeira e tinha uma chave. Logo nos demos conta de que ele não funcionava, mas papai o havia comprado na intenção de consertá-lo, o que acabou não acontecendo e vocês entenderão o porquê.
Devido a esse detalhe, nós não o usávamos como um relógio, mas adorávamos tê-lo enfeitando a casa. No entanto, não fazíamos ideia de que aquele lindo relógio, escondia um segredo sinistro e que com ele, algo mais havia entrado em nossa casa…
Com o passar dos dias, coisas estranhas começaram a acontecer. Minha irmã caçula começou a ter pesados horríveis e recorrentes, sempre o mesmo sonho. Ela dizia ver um homem que a agarrava pelo pescoço e apertava até que ela ficasse sem ar. Meus pais brigavam comigo e com meu irmão, eles achavam que nós estávamos contando histórias assustadoras para nossa irmãzinha.
Logo eu passei a me sentir desconfortável dentro de casa, eu me sentia observada o tempo todo. Um dia eu estava sozinha em casa lavando a louça. Estava apressada para terminar antes que meus pais chegassem, quando ouvi o relógio tocando uma espécie de alarme.
Achei estranho porque ele nunca tinha feito aquilo, na verdade, o que sabíamos sobre ele, era o que o vendedor havia dito ao meu pai, que aquele relógio já não funcionava há muitos anos. Me arrepiei inteira. Fui até o relógio, parei de frente para ele tentando entender o que estava acontecendo e descobrir como eu poderia desligar aquele alarme. Então, de repente, senti um arrepio na nuca, e um ar quente, como se alguém estivesse respirando bem atrás de mim.
Olhei pra trás rapidamente e não havia ninguém. De repente o alarme simplesmente parou, do nada. Assustada decidi voltar para a cozinha para terminar de lavar a louça. Foi nessa hora que algo bizarro aconteceu. Quando eu entrei no corredor que vai para a cozinha, dei de cara com um vulto negro, era a silhueta de um homem, mas era transparente, como se fosse feito de fumaça.
Eu fiquei histérica e corri para porta da sala, gritando à plenos pulmões. Bati na porta da vizinha e ela ficou comigo na porta de casa tentando me acalmar até meus pais chegarem. Meus pais não acreditaram em mim, levei uma bronca nesse dia, meus irmãos e eu não tínhamos com quem falar, nossa vida estava ficando horrível.
As coisas começaram a desaparecer e as vezes apareciam em outro lugar, a culpa sempre caía sobre nós, mas sabímos que nenhum de nós estava fazendo aquelas coisas. Estávamos aterrorizados de medo e não sabíamos o que fazer ou com quem falar, pois além de meus pais não acreditarem em nós, eles ainda nos acusavam de coisas que não havíamos feito.
Vivemos esse pesadelo até uma tarde, quando o ônibus escolar nos deixou em casa e encontramos minha mãe histérica. Ela havia sido atacada pela criatura. Ela contou que estava na cozinha preparando um lanche pois a irmã dela, minha tia, estava lá em casa, quando de repente, ela sentiu uma forte ardência nas costas e imediatamente pensou ter sido picada por algum inseto. Ela pediu para minha tia dar uma olhada.
Então minha tia viu que não era uma picada de inseto, mas arranhões como se alguém tivesse cravado as unhas em suas costas. Minha mãe subiu as escadas apressada para olhar mais de perto em um espelho. No entanto, enquanto ela se olhava, ela viu através do espelho que o mesmo vulto que eu tinha visto anteriormente estava atrás dela e finalmente ela acreditou em nós.
Até então, ainda não tínhamos ideia de que o relógio poderia ter algo a ver com isso, mas esse segredo, logo seria revelado na noite seguinte, quando acordamos com uma barulheira no meio da madrugada, vindo do andar de baixo…
Meus irmãos e eu vimos minha mãe descendo as escadas para ver o que estava acontecendo e fomos atrás dela. Encontramos nosso pai descontrolado socando os móveis e quebrando tudo. Minha mãe acendeu as luzes, e perguntou o que ele estava fazendo. Ficamos aterrorizados assistindo àquela cena, até que por fim, ele finalmente se acalmou e sentou ofegante no sofá da sala.
Então ele contou que havia descido para comer alguma coisa na cozinha (lá em casa todos temos esses ataques de fome noturna) e já estava voltando para o quarto quando viu a figura de um homem saindo do relógio. Ele disse que apesar de estar escuro, ele pôde ver bem seu rosto. Ele estava com uma expressão de muito ódio e veio pra cima do meu pai.
Nessa hora ele gritou e começou a socar tudo à sua volta na tentativa de “lutar” com o vulto, ou seja lá o que passou pela cabeça dele, mas quando chegamos, não havia nada lá. No outro dia bem cedo meu pai pegou o relógio e sumiu com ele, não sei o que aconteceu, se vendeu pra alguém, se pôs fogo ou quebrou, sei que depois que aquele relógio foi embora, tudo voltou ao normal em nossa casa.
Essa é uma história real e foi enviada por uma leitora do Blog Superno. A identidade das pessoas envolvidas nessa história foi mantida em sigilo.