Olá, quero agradecer ao blog Superno pela oportunidade de contar meu relato, eu sempre leio as histórias do blog e tinha muita vontade de contar a minha também, mas só agora criei coragem, então lá vai…
Eu me casei muito nova. Conheci meu esposo quando eu ainda tinha quinze anos e ele vinte e um e foi amor à primeira vista. Começamos a namorar com o consentimento dos nossos pais, foi uma fase muito legal da minha vida. Eu costumo dizer que sou uma pessoa muito grata, sempre agradeço a Deus por ser uma pessoa abençoada, por ter uma família linda, por ter conhecido o amor da minha vida quando ainda era bem jovem, o que me poupou de muitas desilusões na vida.
Quando eu completei dezoito anos nos casamos, minha família pagou meu vestido de noiva e a festa. Como os meus sogros também queriam nos dar um presente, nos ofereceram uma casa que meu sogro já tinha há algum tempo, mas ninguém morava lá, estava abandonada há alguns anos. Então, segundo ele, a casa só precisava de uma reforma para ficar habitável e eu achei aquilo maravilhoso, mais uma vez pensei em como eu era sortuda, tudo estava indo muito bem.
Confesso que fiquei muito empolgada com a casa, eu não via a hora de ter meu cantinho, apressei meu marido para que fóssemos conhecer a casa e ele me levou. Chegando lá, confesso que a decepção foi maior que a empolgação, porque a casa estava toda detonada, só de olhar me dava arrepios. Comentei com meu marido que a casa passava uma sensação ruim, fiquei bem chateada na hora, mas depois eu achei que era bobagem, eu ainda me sentia sortuda, pois mesmo parecendo uma casa saída de um filme de terror ela era minha e eu iria deixá-la do meu jeitinho.
A semana seguinte, começamos comprar material para a reforma da casa. Depois de quatro meses de reforma, a casa parecia outra, tinha novos ares, não tinha mais o odor fétido de mofo e as assombrosas manchas negras na parede. Tudo havia sido trocado, instalação elétrica, encanamentos, as janelas foram substituídas por janelas mais seguras e eu estava empolgadíssima para me mudar.
A primeira semana na casa foi um pesadelo, eu não me sentia confortável, tinha medo de tudo, era como se o tempo todo eu me sentisse observada. Comecei a ter insônia, mas meu marido sempre dizia que era normal, que era uma fase de adaptação e que logo eu me acostumaria com a casa nova. Bom, se ele estava dizendo então devia ser isso mesmo, eu pensei, e fiquei mais tranquila.
No entanto, não teve jeito, nos meses que se seguiram as coisas só pioravam cada vez mais, passei a ter crises de pânico, era só eu ficar sozinha na casa que eu começava a ouvir vozes, tinha a sensação de alguém estar andando pela casa, mas eu nunca via ninguém. Então, em uma noite, adormeci e foi ai que tive um sonho muito sinistro…
No sonho eu via a casa toda danificada, do jeito que estava quando cheguei. Eu olhava para as paredes, o piso e pensava, mas nós não tínhamos reformado tudo? Como a casa ficou assim de novo? Então nessa hora eu senti um medo terrível, uma sensação muito ruim, foi quando eu vi a aparição de um homem descendo as escadas. Bom, descendo é uma forma de dizer, porque os pés dele não estavam tocando o chão. Ele tinha um apecto horrível, olhos fundos e sem brilho, uma pele muito pálida e vinha flutando pela escada. Ele estava curvado com a cabeça baixa, seu corpo parecia todo quebrado e nessa hora eu senti que estava prestes a ter uma crise de terror noturno.
Eu comecei a lutar pra acordar mas estava paralisada, tentava gritar e o som da voz não saía. Quando eu finalmente abri os olhos eu vi meu marido na cama, deitado de costas pra mim, mas eu não conseguia chamá-lo. Foi então que eu fechei os olhos e comecei a repetir na minha mente as palavras, “Deus, me ajuda!”, “Jesus, me socorre!”. De repente eu descongelei, mas eu estava completamente arrepiada, uma sensação horrorosa como se eu pudesse sentir a presença de alguma coisa no meu quarto.
Depois desse sonho, meu marido achou que eu devia consultar um psiquiatra. Meses haviam se passado desde que nos mudamos e eu ainda não tinha me adaptado à casa, pelo menos era o que meu marido pensava, que tudo era apenas uma questão de adaptação. E eu pensei que ele poderia ter razão. Fiz a consulta e comecei a tomar medicação pra dormir, mas o que eu pensava ser a solução para meus problemas, acabou se tornando um problema ainda maior, eu não esperava pelo que viria a seguir..
Numa noite, tomei meu remédio e fui para a cama, apaguei em poucos minutos. Não sei quanto tempo depois, comecei a ter o mesmo pesadelo, exatamente igual, a casa estava horrível novamente, eu estava na sala quando comecei a sentir um medo terrível. Nessa hora, eu vi o corpo flutuante do homem entrando pela porta da sala, todo torto, curvado, olhando pra baixo como se estivesse pendurado e vindo na minha direção. Eu fiquei paralisada e nessa hora, estranhamente eu me lembrei dentro do sonho que tinha tomado remédio pra dormir e aquilo me deu uma tristeza, como eu iria acordar?
Enquanto eu estava congelada aquela coisa foi se aproximando de mim e eu desesperada tentando gritar. Quando aquele homem chegou na minha frente, ele começou a se endireitar, o barulho era uma coisa tão horrível que me arrepio toda só de lembrar disso para contar para vocês. Enquanto ele ia ajeitando o corpo, ele fazia uns sons de estalos com gemidos de dor. Bom, isso já daria um ótimo roteiro de filme de terror, mas não parou por aí. Como se não bastasse, de repente, ele agarrou meu pescoço e eu comecei a sufocar. Foi uma sensação apavorante a qual eu não desejo nem para um inimigo. Eu lutava pra acordar mas não conseguia de jeito nenhum.
Dentro do sonho eu pensei, “acabou, esse monstro vai me matar”. Foi muito real, eu senti que eu estava morrendo fisicamente e falei assim na minha mente: “Deus, cuida do meu marido e dos meus pais”. Quando eu pensei que ia morrer, de repente foi como se alguma coisa tivesse me puxado de volta, eu senti o ar voltando para meus pulmões. Foi aí que eu acordei e vi que meu cachorro estava lambendo meu rosto. Gente, eu não sabia como meu cachorro tinha entrado no quarto, porque ele tinha a caminha dele na sala, e meu marido e eu dormíamos com a porta fechada, mas quando eu olhei a porta do quarto estava aberta.
No outro dia contei tudo para o meu marido, perguntei se tinha sido ele quem abriu a porta para nosso cachorro entrar e ele me disse que sim. Ele conta que eu estava dormindo igual a uma pedra e que o cachorro estava estranho naquela noite, estava latindo o tempo todo e arranhando a porta do nosso quarto, coisa que ele nunca tinha feito. Creio que devido ao efeito da medicação, eu não percebi nada. Meu marido então, caindo de sono, levantou, abriu a porta para o cachorro entrar e voltou a dormir. Hoje tenho certeza que meu cachorro sabia o que estava acontecendo e foi usado por Deus pra me salvar.
Nos dias que se passaram eu comecei a ter a sensação de estar vendo vultos com minha visão periférica, mas sempre que eu me virava, não tinha nada. Um dia, era um fim de semana e eu estava limpando a casa quando percebi um vulto passando no andar de cima. Nem consigo descrever a sensação que eu senti, fiquei apavorada, pois eu estava sozinha em casa. Mesmo com medo, subi as escadas e fui atrás ver o que era aquilo. Quando entrei no meu quarto, quase caí com o susto! Dei de cara com a aparição do mesmo homem do meu pesadelo. Ele estava parado de pé, de frente para o closet e de costas pra mim. Ele parecia muito á vontade, era como se nem estivesse me vendo.
Eu não conseguia gritar, estava em choque devido ao susto, mas vi que ele estava fazendo alguma coisa e mesmo tremendo de medo, tentei me aproximar um pouco pra ver o que era. Então eu vi que ele tinha uma corda nas mãos e estava fazendo um laço. Em seguida ele amarrou a outra ponta da corda em uma viga dentro do closet (na reforma colocamos um forro, essa viga não era mais visível). Eu estava assistindo aquela cena como se fosse um filme, só que meio transparente, uma coisa que só quem já passou sabe o que é. Então, depois que ele amarrou a corda na viga, ele colocou o laço no pescoço, subiu em um baú e se enforcou.
Nessa hora foi como se eu tivesse despertado do transe, eu fiquei histérica, liguei para meu marido que não estava em casa nessa hora, eu fiz um escândalo, eu estava totalmente em choque. Quando meu marido chegou eu estava na casa da vizinha, uma senhorinha muito gentil que tentou me acalmar. Naquela hora eu tive certeza que não tinha problema algum comigo, a casa é que era assombrada.
No outro dia, a família toda já estava sabendo do ocorrido. Minha mãe que é evangélica chegou com um pastor para abençoar a casa. Meus sogros também vieram e qual não foi minha surpresa quando meu sogro falou que alguém tinha se matado naquela casa. Eu pensei, como assim? Como foi que ele não me contou uma coisa dessas? Então, segundo o que meu sogro me contou, o ex dono daquela casa se enforcou dentro do closet. Esse homem tinha perdido tudo, estava afundado em dívidas e devido a isso, sua esposa decidiu abandoná-lo, o que o levou a um quadro de depressão profunda. Dilacerado pela perda da mulher amada, sendo cobrado dia e noite e sem ter como pagar suas dívidas, o homem não conseguiu enxergar outra alternativa que não fosse deixar este mundo.
Quando meu sogro me contou essa história, eu fiquei brava, me deu até vontade até de puxar os cabelinhos brancos dele. No entanto, meu sogro era uma pessoa maravilhosa e eu entendi que ele não fez por mal, ele já tinha essa casa há muitos anos, e nem se lembrava mais. Depois que o dono morreu, ela ficou abandonada, e o único herdeiro do rapaz era o irmão alcólatra que trocou a casa com meu sogro em um fusca (naquela época esse tipo de negócio era bem comum).
Mesmo a casa tendo sido abençoada pelo pastor eu não aceitei morar nela de jeito nenhum. Falei para meu marido que se ele não demolisse a casa e construísse outra completamente nova eu não iria mais colocar meus pés ali. E foi o que aconteceu, a casa foi demolida em 1995, levamos o prejuízo de tudo o que havíamos gasto na reforma, mas construímos uma casa totalmente nova no local, onde moro até hoje. Depois da limpeza espiritual e que a casa nova ficou pronta, nunca mais vi nada paranormal. Hoje vivemos na santa paz. Espero que tenham gostado do meu relato.