Uma história que deixou muitos pais assustados pelo Brasil nos anos 90, foi a “Lenda do Fofão”. A história ganhou força em uma época onde não existia essa explosão tecnológica a qual vivemos nos dias de hoje, o que em nada dificultou que os boatos se espalhassem, transformando o caso em mais uma lenda urbana brasileira. A história rendeu muito conteúdo para as mídias da época, emissoras de Tv e rádio exploraram o assunto com manchetes sensacionalistas e chamativas.
Talvez você não tenha vivido essa época, mas com o avanço da internet, e o resgate de fatos e histórias do passado, que o mundo tecnológico proporcionou, certamente você já deve ter ouvido falar do famoso “punhal” encontrado dentro dos bonecos do personagem Fofão.
Embora ainda exista quem acredite na história, o fato é que tudo não passou mesmo de uma lenda. Particulamente, eu me lembro bem do surgimento do mito que era contado nos pátios e corredores das escolas brasileiras, com ares dignos de uma lenda assustadora, sobre a descoberta macabra de um punhal escondido dento de um brinquedo.
Por algum motivo, muitas crianças achavam o boneco de aparência bizarra, produzido pela empresa “Mimo” um brinquedo atraente, (será que as crianças de hoje iriam gostar desse brinquedo?) o que levou muitos pais a comprarem os bonecos para seus filhos. As réplicas do personagem peludo com suas volumosas bochechas enrugadas que a mim na época pareciam especialmente assustadoras, atingiram a marca de vendas de mais de quatro milhões de exemplares, para a alegria (ou assombro) da criançada.
O personagem Fofão surgiu em Março de 1983 quando uma emissora de Tv brasileira, lançou um programa infantil chamado “Balão Mágico”, onde o Fofão era um dos personagens interpretado pelo ator Orival Pessini. A estranha figura tratava-se de um alienígena vindo do Planeta Fofolândia e sua aparência seria o resultado de uma mistura entre cachorro, urso, porco e palhaço.
A verdade é que havia uma explicação razoável para a presença do estranho e polêmico objeto encontrado dentro do boneco Fofão. Segundo Deusenir Prieto, gerente de desenvolvimento da empresa Mimo na época em que o boneco foi criado, não existia o enchimento em fibra de poliéster o qual é usado hoje como enchimento.
Naquela época, os fabricantes de bonecas costumavam usar enchimento de microesferas de isopor. Como esse material era muito instável, foi necessário desenvolver uma estrutura onde a cabeça do boneco pudesse ficar fixa e posteriormente pudesse ser introduzia no corpo já envasado com as microesferas. Então, foi criada uma estrutura que tinha forma alongada e de fato se assemelhava um pouco com uma adaga, mas ela não era pontiaguda nem cortante e seu único objetivo era promover a estabilidade da cabeça do boneco e facilitar que ela fosse fixada ao corpo.
A medida em que a lenda se espalhava, os contadores de histórias iam acrescentando mais elementos macabros ao já assustador relato, o que deixava a população cada vez mais apavorada. Com essa publicidade negativa, as vendas do boneco Fofão foram paralisadas e o desafortunado boneco passou a ser destruído e queimado em fogueiras como um herege, pois por via das dúvidas, até que anos mais tarde a história pudesse ser esclarecida, as pessoas acharam melhor se livrar da versão brasileira do Chucky.
A empresa fabricante do brinquedo tentou se defender inúmeras vezes dizendo que o boneco atendia as normas de fabricação de brinquedos da época, no entanto o boato já havia se espalhado com tal força que resiste até os dias de hoje e ainda rende conteúdo.
E você? Já ouviu falar na lenda do Fofão? Você já teve um desses bonecos? Tem uma história estranha pra contar? Deixe um comentário aí embaixo.