Meu filho estava em perigo…

Esse relato é real e aconteceu comigo e com meu filho quando ele tinha quatro anos. Eu havia acabado de me mudar para um apartamento que ficava em um bairro mais perto da casa da minha mãe. Nessa época eu estava passando por um divórcio e minha mãe estava muito doente, então eu queria ficar mais perto para poder cuidar dela.

Já na primeira noite nesse apartamento eu tive um pesadelo horrível que me deixou muito abalada. Sonhei que meu filho que aqui nesse relato chamarei Michel, estava na cobertura do prédio brincando com outra criança a qual eu não conseguia visualizar o rosto e em um determinado momento da brincadeira esse garoto que brincava com meu filho o empurrava de lá de cima e eu começava a gritar.

Acordei me sentindo mal, com a sensação de que aquilo era real e fui direto no quarto do meu filho para me certificar que estava tudo bem e o encontrei dormindo tranquilamente em seu quarto. No decorrer dos dias, eu fui me sentindo cada vez mais incomodada naquele apartamento, eu sentia o tempo todo como se eu estivesse sendo observada.  Do nada passei a me sentir cansada e desanimada, já não tinha o mesmo pique para fazer academia e me cuidar como antes, comecei a comer desordenadamente e engordei bastante, mas atribuí tudo ao estresse do divórcio.

Os meses foram se passando e eu cada vez me sentia mais doente, não comentava nada com minha mãe, eu não queria preocupá-la devido a seu estado de saúde. Então, o Michel começou a se queixar de ferimentos e hematomas que começaram a aparecer no corpo dele, desde arranhões a manchas roxas enormes nas pernas. Aquilo me preocupou e eu o levei ao médico que insinuou que eu estava agredindo meu filho.

Numa tarde eu estava de pé na beira da pia cortando legumes quando do nada senti um sono fora do normal, era tão forte que parecia que eu ia desmaiar ali mesmo no chão da cozinha, quando escutei meu filho dar um grito horrível, eu me virei pra correr e ajudar meu filho quando eu caí no chão totalmente sem forças, era como se a energia do meu corpo tivesse acabado e então eu comecei a gritar meu filho com toda a força que me restava.

Eu comecei a brigar com meu corpo para força-lo a levantar e nisso vi meu filho correndo em minha direção e dizendo: “Estou aqui mamãe, está tudo bem!” Por um instante eu até me senti aliviada por ver que ele estava bem, mas meu instinto materno me levou a olhar bem para o rosto dele e notei que alguma coisa estava muito errada, ele estava sorrindo de uma forma muito bizarra, quase maliciosa, não parecia o sorriso inocente de uma criança, mas uma expressão ligeiramente maligna, parecia estar zombando da minha situação. Então reparei que seus olhos pareciam opacos, não tinham o que eu chamo de “o brilho da vida”.

Então eu disse: “Você não é meu filho!” e comecei a gritar e a expulsar aquela coisa da minha casa e então o rosto da criatura se desfigurou e se transformou em uma fumaça escura que foi desaparecendo. Nessa hora consegui me levantar, foi como se minhas forças tivessem voltado e corri até o quarto do meu filho. O encontrei debruçado na janela. A tela que eu havia mandado colocar para evitar acidentes, estava toda arrebentada, não parecia ter sido cortada por uma tesoura, mas era como se tivesse sido destruida por algo que estava furioso.

Agarrei meu filho antes que ele despencasse e sentei com ele no chão aos prantos. Não sabia o que fazer e liguei para o pai dele que veio correndo até o apartamento, pedi que ele ficasse com o Michel até que eu conseguisse alugar outro lugar. Ele me entendeu e acreditou em mim, ele conhecia bem a minha índole e sabia que eu jamais brincaria com algo assim.

Uma semana depois eu consegui outro apartamento no mesmo bairro e mais perto da casa da minha mãe. Na época, conversando com um vizinho, eu soube que ninguém conseguia ficar por muito tempo naquele apartamento e que o lugar tinha um péssimo histórico de tragédias que ocorreram ali. Depois que me mudei, aquela fraqueza e desânimo que eu sentia naquele lugar desapareceram. Os arranhões e hematomas que apareciam no corpo do Michel também sumiram, hoje ele está com dezesseis anos e é um jovem saudável e muito inteligente. Bom, fico por aqui, espero que tenham gostado da minha história.

Essa é uma história real enviada por uma leitora ao blog Superno. A identidade dos envolvidos nessa história foi mantida em sigilo.

Se inscreva neste blog para receber notificações sobre novas publicações. Curta e siga nossa página no Facebook e se inscreva em nosso canal no YouTube. Indique nossos conteúdos para seus amigos.

Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

Deixe um comentário