Esse é um relato real do que aconteceu comigo, por favor, eu peço que não me julguem, eu já paguei pelos meus erros…
Quando eu completei dezenove anos eu conheci um homem por quem me apaixonei e fiquei obcecada por seu amor. Eu estava completamente envolvida por ele que se aproveitou disso, quando percebeu que eu o amava, me usou como quis.
Quando ele se cansou de seu joguinho, simplesmente me descartou. Magoada e com meu orgulho ferido, procurei um bruxo para pedir ajuda, e o pedi que fizesse uma espécie de “amarração”. No outro dia eu levei tudo o que ele havia me pedido.
Um mês depois, a amarração deu resultado, aquele homem voltou para mim com a diferença de que agora ele também me amava.
Nos casamos logo em seguida e senti um enorme desejo de ser mãe, então pedi a ele um filho e ele, muito entusiasmado me disse que sim.
No entanto, depois de dois longos anos tentando, eu não conseguia engravidar, então fizemos exames que constataram que meu marido era estéril, isso me deixou arrasada.
Alguns meses se passaram e um dia, durante o trabalho na loja, eu conheci um homem. Eu estava distraída arrumando alguns itens em uma prateleira quando o vi entrar. Ele chamou tanto a minha atenção quanto eu a dele, foi amor a primeira vista.
Logo comentei sobre ele com minhas colegas de trabalho que me disseram que ele era o novo gerente. Em pouco tempo já estávamos envolvidos e perdidamente apaixonados um pelo outro.
Esse novo amor da minha vida me fez tomar a decisão de abandonar meu marido, mas ele não aceitou a separação, ficou revoltado e disse que nem a morte iria nos separar.
Então, vendo que ele iria criar caso, voltei a procurar o bruxo para que ele desfizesse a amarração.
O bruxo, após ouvir tudo o que eu tinha para dizer, me disse que não poderia desfazer, e que ele havia me avisado antes, que este era um trabalho especial, impossível de ser desfeito.
Fiquei desesperada, não sabia o que fazer, eu não queria mais meu marido, eu estava apaixonada por outro homem.
Eu confesso que passou pela minha cabeça assassiná-lo, não me julguem, eu estava desesperada e ele começou a me pressionar, exigia seus direitos de marido mas eu já não sentia nada por ele, eu precisava de um plano pra fazer meu marido me deixar livre.
Contei tudo para meu amante e ele me sugeriu que fugíssemos e eu concordei imediatamente. Então planejamos tudo para fugir em um sábado a noite, pois era o dia no qual meu marido costumava sair para beber com os amigos.
No dia marcado, meu marido saiu como de costume, eu já estava com tudo pronto, então peguei minhas coisas e fui até a porta, mas na hora de sair, dei de cara com meu marido, não sei como ele descobriu, a expressão de ódio nos olhos dele me deixou apavorada.
Então ele agarrou meus cabelos e foi me arrastando pela casa e eu só conseguia pensar que precisava encontrar algo para me defender.
Nessa hora, enquanto ele me arrastava pela escada, ao chegar no topo ele se desequilibrou e acabou soltando meu cabelo para se agarrar ao corrimão, então, aproveitei esse momento e o chutei, fazendo com que ele caísse escada abaixo.
Não tinha tempo para pensar muito, desci as escadas correndo e fui embora sem olhar para trás. Fugimos para outra cidade. Uma semana depois, criei coragem e liguei para uma amiga pois eu me perguntava se a queda o teria matado, mas ela me disse que não, que ele havia fraturado umas costelas mas estava vivo, no entanto, seis meses depois desse fato, essa mesma amiga me ligou para me avisar que ele havia sofrido um infarto e vindo a óbito, até hoje me pergunto se isso pode ter sido em consequência da queda.
Confesso que me senti aliviada e então decidi voltar para minha cidade com meu novo marido para que pudéssemos finalmente viver nossa vida em paz.
Voltamos para minha cidade e reclamei os bens que eram meus por direito, pois éramos casados oficialmente e meu falecido marido não possuía herdeiros. Voltei para minha casa que eu havia abandonado desde que havia fugido com o meu novo amor. Vivemos então uma intensa lua de mel e nessa época eu acabei engravidando.
Quatro anos se passaram, eu estava feliz e vivendo a melhor fase da minha vida, meu filhinho havia completado quatro aninhos e nada de anormal havia acontecido até uma tarde, no dia de seu aniversário…
Nesse dia, eu estava juntando os brinquedos do meu filho que aqui chamarei de Lucas, era seu aniversário e eu estava arrumando a casa pois havíamos convidado alguns amigos para um pequena comemoração. De repente percebi que o Lucas estava conversando com alguém em seu quarto, mas só estávamos ele e eu em casa.
Curiosa, fui até o quarto, o Lucas estava sozinho, então perguntei a ele com quem ele estava conversando e ele respondeu:
“Com meu novo amigo mamãe!”
Eu estava muito atarefada naquele dia e não dei muita importância ao fato, no entanto, depois desse dia, o Lucas mudou drasticamente de comportamento, ficou muito agressivo comigo, não queria mais obedecer, dizia nomes feios que eu não sabia onde ele havia aprendido e não parava de falar no tal amigo.
Um dia eu estava em meu quarto e escutei quando o Lucas falou:
“Estou com medo, você promete que vai me segurar?”
Achei aquilo estranho demais e corri para ver o que estava acontecendo. O encontrei no alto da escada se preparando para pular, eu fiquei aterrorizada, corri e o agarrei. Eu o sacodi desesperada e perguntei o que tinha dado na cabeça dele e ele só dizia que o amigo queria brincar e que insistia para que ele pulasse pois ele havia dito que iria segurá-lo.
Eu fiquei em choque, e disse a ele que o tal amigo não existia, que era pra ele parar com isso que estava me assustando.
O tempo foi passando e esse amigo estava cada vez mais presente em nossa casa. Eu dava ordens ao Lucas e ele dizia que não ia fazer, porque o amigo dele disse que ele não precisava fazer. A situação foi ficando cada vez pior. Passei a esconder as facas e tesouras da casa.
Um dia eu decidi sair com o Lucas para dar uma volta com nossa cachorrinha, a Lucile. Andávamos pela calçada e ao lado havia uma avenida muito movimentada. Parei em um trecho para a Lucile fazer pipi quando de repente escutei o Lucas dizer:
“Eu não quero brincar dessa brincadeira!”
Nessa hora eu senti um calafrio, me aproximei do Lucas e perguntei:
“O que houve filho? O que o teu amigo disse para você fazer agora?”
Ele me olhou assustado e disse:
“Mamãe, ele disse que quer brincar de correr na frente dos carros, mas eu fiquei com medo, eu acho que ele é mal…”
Nessa hora eu me convenci de que alguém ou alguma coisa estava tentando matar o meu filho, então eu perguntei pra ele, como era esse amigo, se ele era uma criança, mas ele disse que não, que era um homem adulto. Então eu ia perguntando e ele ia me falando suas características até que ele disse que o homem tinha a tatuagem de um tigre em uma das pernas.
Nessa hora eu me arrepiei dos pés a cabeça e perguntei a ele qual era o nome de seu amigo, mas eu confesso que eu não estava preparada para a resposta, pois o nome o qual ele disse pertencer a seu “amigo imaginário” era o nome do meu falecido marido, nessa hora eu não tive dúvidas de que ele havia voltado para me assombrar.
Apavorada procurei o bruxo novamente para afastá-lo da minha casa, mas novamente ele me disse que não poderia fazer nada, que o trabalho que foi feito era muito forte e que só iria ser quebrado quando esse espirito conseguisse sua vingança que era levar aquilo que eu mais amava.
Voltei pra casa em total desespero, os dias que se passaram eram de total terror, eu não tinha sequer uma noite de sono em paz porque toda hora a acordava para ficar vigiando meu filho. O bruxo me falou que depois que meu filho crescesse ele não o veria mais e provavelmente ele não poderia mais fazer nenhum mal a ele, que eu só precisava mantê-lo vivo até lá.
Uma noite, devido ao cansaço eu acabei dormindo demais e não me levantei como de costume para dar uma olhada no meu filho, então eu despertei com um susto!
Eu me preparei para pular da cama e ir direto para o quarto dele, mas quando eu olhei ele estava parado na porta do meu quarto e disse que não conseguia dormir.
Então eu o levei para seu quarto novamente, olhei no relógio e já passava das três horas da manhã.
Então fiquei com ele uns minutos esperando que ele adormecesse, dei um beijinho em sua testa mas achei que ele estava assustadoramente gelado e vi que a janela estava aberta embora eu tivesse certeza de que eu a havia fechado. Fui até a janela para fechá-la e o que eu vi em seguida me faz tremer até hoje…
Quando eu olhei pela janela eu vi o Lucas lá embaixo no portão tentando abrí-lo, eu fiquei totalmente em choque e me virei incrédula para olhar o Lucas que eu havia acabado de deixar na cama mas ele havia desaparecido. Comecei a gritar e a chamar meu marido, no desespero desci as escadas correndo e ao chegar perto do Lucas o agarrei com força. Seus olhos me olhavam como se vissem através de mim.
No dia seguinte buscamos ajuda em todas as partes, padres e pastores. O Lucas passou a dormir em nosso quarto, eu e meu marido nos revesávamos para vigiá-lo e foi assim até que o Lucas completasse quatorze anos, quando finalmente ele viu o espirito do falecido pela última vez. Depois disso as aparições pararam, hoje o Lucas está com vinte e dois anos e nunca mais viu nada paranormal, mas eu confesso que até hoje me assombra a ideia de que esse pesadelo possa recomeçar…
Eu sei que eu cometi um grande erro, mas paguei caro por minhas péssimas escolhas. Espero que meu filho nunca tenha que pagar pelos meus erros. Essa foi a minha história e fica a lição, nunca tente mudar o curso das coisas, o que é nosso, vem para nossas mãos naturalmente, nunca devemos mexer como desconhecido.