Já passa da meia-noite. Depois de um longo e cansativo dia de trabalho, você é um homem exausto, ansioso para chegar em casa e se vê dirigindo por uma estrada particularmente escura e solitária. De repente, você avista uma bela e atraente jovem em um esvoaçante vestido branco à sua frente.
Ela parece angustiada, então você para o carro e oferece ajuda. Quando você sai do carro, no entanto, o ar noturno se transforma, de repente, você percebe um leve e hipnotizante perfume floral, como um “Frangipani”. Ouve-se o uivo de um cachorro que você imagina estar escondido entre as bananeiras que margeiam a estrada e então ele começa a choramingar assustado. Nessa hora, o ar adocicado e refrescante dá lugar a um terrível odor de carne em decomposição.
A última coisa que você ouve é o grito agudo de um bebê chorando enquanto testemunha a transformação da bela mulher em um aterrorizante “ghoul” (um ser semelhante a um demônio ou humanóide monstruoso comedor de carne humana originário da religião árabe).
A criatura se aproxima, mas agora é tarde demais para correr, o cheiro irresistível de tuas vísceras enlouquece a criatura que te ataca, então você se dá conta de que esse foi um péssimo dia, e em teu último pensamento diz a si mesmo:
“Eu não devia ter levantado da cama hoje…”
A lenda…

Esta é uma história frequentemente contada por motoristas de táxi, avós e militares, e repetida com prazer para assustar gerações de crianças, sim, essa história é contada para crianças asiáticas.
O Pontianak é sem dúvida uma das lendas mais bizarras e assustadoras da Ásia, que assusta desde criancinhas inocentes a homens adultos.
Trata-se de um demônio comedor de carne humana que costuma se disfarçar de uma bela mulher para atrair suas presas, que em geral são sempre homens.
De acordo com o folclore malaio em Singapura, Malásia e Indonésia, um Pontianak seria o fantasma de uma mulher grávida que teve uma morte violenta nas mãos de um homem ou durante o parto, o que a teria transformado em uma vampira vingativa.
Normalmente retratada como uma jovem de pele clara, cabelos longos e vestida de branco, acredita-se que o demônio Pontianak, descrito com horripilantes olhos vermelhos, assume a forma dessas belas donzelas indefesas, apenas para seduzir e atrair suas vítimas masculinas antes de usar suas unhas afiadas como adagas para abrir seus estômagos.
Em toda a região, as crenças sobrenaturais são tão diversas quanto as muitas culturas e comunidades que as criam. Cada cultura tem seu próprio conjunto de fantasmas e espíritos, sejam eles benevolentes ou malévolos. Enquanto os chineses dedicam um mês inteiro ao “Hungry Ghost Festival” (leia a matéria completa no blog), onde se acredita que ancestrais falecidos aparecem para uma refeição, existem também outras lendas e crenças antigas, mas o Pontianak se tornou dentre todas essas lendas a mais icônica.
Do Folclore para as telas de cinema…

Passado em 1965, “A Vingança do Pontianak” gira em torno de uma pequena vila que se prepara para o casamento de dois personagens, Khalid e Siti. Logo depois, uma grande escuridão cai sobre a vila, enquanto uma série de mortes horríveis e acontecimentos sobrenaturais espalham medo e paranóia entre os moradores.
O que torna essa história tão assustadora são os elementos, tragédia e vingança, que exploram nossos medos primitivos, sociais e culturais. A lógica do terror asiático são tipicamente sobre causa e efeito, infortúnio e retribuição.
O Pontianak se tornou a base do horror malaio. Além de servir de alegoria para a tensão entre as práticas culturais e espirituais tradicionais e modernas, esses monstros deram nome a uma cidade real.
O Pontianak é um dos espíritos mais poderosos do folclore indonésio e aparece em filmes de terror populares.
Os sinais clássicos de que um Pontianak está próximo incluem o som de uma criança chorando e o cheiro da flor “Frangipani” (plumeria), semelhante ao cheiro de jasmim, que se mistura ao odor de cadáveres em decomposição.
Muitos relatos sobre o Pontianak o descrevem como o espírito de uma mulher que morreu durante o parto ou gravidez. Algumas lendas malaias afirmam que o Pontianak se origina do espírito de uma criança natimorta, e não de uma mulher grávida. Em algumas lendas da Indonésia, o Pontianak se origina do espírito de uma mulher que morreu após ser estuprada.
Segundo a lenda, um Pontianak só aparece sob o lua cheia e normalmente anuncia sua presença por meio de gritos suaves de bebê em tom agudo ou risadas femininas. Se as vocalizações são de baixo volume, o Pontianak está próximo, se eles são altos, então o demônio está longe. Algumas fontes também afirmam que um cachorro uivando à noite indica que um Pontianak está longe, mas se o cachorro choramingar significa que o Pontianak está muito perto.
Dizem que o Pontianak localiza sua presa pelo cheiro de sua roupa seca. Por isso, alguns malaios se recusam a deixar qualquer peça de roupa fora de casa durante a noite. O Pontianak está associado ás bananeiras, que seria onde seu espírito reside durante o dia.
O “Kuntilanak” indonésio é semelhante ao Pontianak, mas geralmente assume a forma de um pássaro e suga o sangue de virgens e mulheres jovens. O pássaro, faz um “ke ke ke” e pode ser enviado por magia negra para fazer uma mulher adoecer, o sintoma mais comum é sangramento vaginal.
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