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O caso Dália Negra é considerado até hoje, um dos crimes mais bárbaros e chocantes dos Estados Unidos. A trágico destino da jovem aspirante a atriz Elizabeth Short assombrou a comunidade local nos anos 40 e tornou-se altamente divulgado devido a brutalidade com a qual o crime foi cometido.
Além de ter sido marcado pela violência extrema, o caso também ficou na história por nunca ter sido solucionado. Cerca de cinquenta e nove pessoas confessaram o crime e vinte e cinco delas chegaram a ser investigadas, no entanto, a polícia nunca conseguiu chegar a uma conclusão definitiva.
Elizabeth Short nasceu no dia 29 de julho de 1924 em Massachussets, sendo a terceira de cinco filhas. Abandonada muito cedo pelo pai, sua infância também foi marcada por alguns problemas de saúde, entre eles, por exemplo, estavam condições respiratórias como asma e tuberculose.
De aparência muito bonita, com olhos azuis e cabelos negros que chamavam a atenção, a moça tinha fama de ser “namoradeira” e gostava de vestir roupas pretas, motivo pelo qual a chamaram de Dália Negra. Seu envolvimento com os homens, fez com que a polícia considerasse, que sua personalidade seria responsável por criar a imagem de uma presa fácil para criminosos.
Betty, como era conhecida, sonhava em ser atriz de Hollywood e era muito carente. Frequentemente, ela costumava aceitar trocar favores sexuais por roupas, abrigo, comida e oportunidades. Dessa maneira, sua posição de fragilidade era um ponto fácil de ser explorado por um criminoso disposto a dominar ou machucar uma mulher…
A descoberta do corpo…
O ano era 1946. Na manhã do dia 15 de janeiro, o corpo nu da jovem de 23 anos foi encontrado dividido em dois pedaços, em um terreno baldio no lado oeste da South Norton Avenue, a meio caminho entre a Coliseum Street e a West 39th Street.
O corpo havia sido severamente mutilado e estava completamente barbarizado. O assassino havia dividido o corpo na altura da cintura e não havia sangue, deixando sua pele pálida. Os médicos legistas determinaram que ela estava morta há cerca de dez horas antes da descoberta, deixando a hora da morte em algum momento durante a noite do dia 14 de janeiro ou nas primeiras horas da manhã do dia15.
O assassino aparentemente havia tido tempo para lavar o corpo. O rosto da moça havia sido cortado nos cantos da boca até as orelhas, criando um efeito conhecido como ” sorriso de Glasgow “. Ela tinha vários cortes na coxa e nos seios, onde porções inteiras de carne haviam sido cortadas.
A metade inferior de seu corpo estava posicionada a trinta centímetros da parte superior e seus intestinos estavam cuidadosamente dobrados sob suas nádegas. O cadáver foi “posado”, com as mãos sobre a cabeça, os cotovelos dobrados em ângulos retos com as pernas afastadas…
A investigação da polícia também concluiu que a vítima provavelmente fora amarrada e torturada por vários dias, antes de sua morte. Nem o local e nem o corpo da vítima estavam cobertos de sangue.
Poucos dias após o descobrimento do corpo, o jornal Los Angeles Herald Examiner recebeu um pacote com um bilhete com os dizeres “Aqui estão os pertences da Dália”. Junto da mensagem, estava o cartão da segurança social da jovem, sua certidão de nascimento, um telegrama, alguns cartões de visita, uma agenda com algumas páginas arrancadas e fotos dela com diversos militares.
Além disso, o jornal responsável por dar ao caso o nome de Dália Negra, também recebeu centenas de denúncias e pistas sobre o crime. Inicialmente, o principal suspeito ligado ao caso foi Robert Manley. O vendedor teria oferecido uma carona para a jovem, depois que ela foi mandada embora da casa da família French, onde estava hospedada.
De acordo com os depoimentos de Manley, os dois passaram a noite de 8 de janeiro juntos, antes da jovem ser deixada no Biltmore Hotel. Ali, segundo ele, Betty se encontraria com a irmã. Durante o depoimento, Manley teve crises profundas de depressão e precisou ser submetido a terapia de choque. Ele foi internado num hospital psiquiátrico, onde acabou confessando o crime. No entanto, anos mais tarde ele revelou que não sabia nada sobre o caso.
Além de Manley, um homem chamado Arnold Smith também é apontado como provável assassino no caso Dália Negra. De acordo com relatos do investigador da Polícia de Los Angeles, John St. John, Arnold Smith também teria sido responsável pelo assassinato violento de Georgette Bauerdorf um ano antes.
No caso de Georgette Bauerdorf, o homicídio teria sido motivado pelo término do relacionamento e envolvia um homem alto, magro e manco como principal suspeito. Smith, já fichado por outros crimes, batia com a descrição. Além disso, em depoimento ele chegou a dizer que ouvira relatos dos homicídios de Georgette e Elizabeth de um homem chamado Al Morrison. Segundo o detetive, no entanto, Al Morrison provavelmente era um alterego do próprio Smith.
A maldição do Cecil…

hotel foi renomeado ara Stay On Main como um esforço para distanciar o estabelecimento de seu passado sombrio. O edifício de 19 andares tem 700 quartos. O hotel tem uma história complicada, com muitos suicídios e mortes. Em 2017, estava sendo reformado e remodelado em uma mistura de quartos de hotel e unidades residenciais.
Embora o crime envolvendo a jovem Elizabeth Short não tenha ocorrido no hotel Cecil, o local acabou sendo citado pelas mídias da época que lançavam teorias de que a moça estaria hospedada no hotel antes de ser assassinada. Haviam rumores que diziam que ela costumava frequentar o local onde supostamente teria sido vista dias antes, porém, muitos acreditam se tratar apenas de especulações.
As histórias trágicas envolvendo o hotel amaldiçoado cultivaram no imaginário das pessoas, a ideia de que Elizabeth poderia ter sido mais uma vítima da maldição que acompanha o assombroso Hotel que já foi palco de 16 assassinatos brutais e misteriosos que inspiraram a série “American Horror Story Hotel” e um documentário da Netflix.
Inaugurado no ano 1924, o local foi planejado para ser um destino glamuroso para empresários internacionais e turistas, localizado na principal avenida de Los Angeles. Porém, com a Grande Depressão, em 1929, o hotel se viu em dificuldades financeiras. E o centro da cidade acabou se tornando um retudo fácil de prostitutas, criminosos e dependentes químicos.
No entanto, essa “má sorte” começou dois anos antes…
Um hóspede, o ex-corretor imobiliário Percy Ormond Cook, se suicidou no local em 1927, após rompimento com a ex-mulher e o filho. Entre 1931 e 1928, outros três homens também cometeram suicídio no local, W. K. Norton, Louis D. Borden e Roy Thompson.
Outros oito hóspedes sofreram quedas suspeitas que na época, não foram confirmadas como acidentais ou intencionais. No ano de 1944, a jovem Dorothy Jean Purcelli, de apenas 19 anos, deu à luz a um menino no banheiro. Segundo os jornais da época, a mãe não sabia que estava grávida e acreditou que o bebê estivesse morto o que a teria motivado a jogá-lo vivo pela janela do hotel. Logo em seguida a moça foi internada em um hospital psiquiátrico.
Já nos anos 60, outros dois crimes acabaram marcando a história do Cecil. O primeiro foi o suicídio que acabou em homicídio de Pauline Otton, de 27 anos, que se jogou do prédio e caiu sobre um pedestre, George Giannini, de 65 anos. O segundo foi o homicídio brutal de “Pigeon Goldie” Osgood, uma mulher de 59 anos, que era muito querida pela comunidade local por alimentar pombos em uma praça próxima ao hotel. Ela foi encontrada morta em um dos quartos depois de ter sido estuprada. Seu assassino nunca foi encontrado…
Além da coleção de histórias trágicas, o Cecil ficou mais conhecido por ter sido o lar de dois serial killers. Richard Ramirez, chamado de o “Perseguidor da noite” pagava quatorze dólares, algo em torno de R$70,00, para pernoitar no 14º andar durante o período em que ele aterrorizou Los Angeles, entre 1984 e 1985. Ele buscava suas vítimas nas imediações do prédio ou em quarteirões próximos. Após a captura, costumava torturar, estuprar e assassinar com crueldade suas vítimas.
Quando Richard foi finalmente preso, outro maníaco “assumiu” seu lugar no local, Jack Unterweger, um admirador de Ramirez, que se hospedou no hotel e contratava prostitutas para comparecer ao seu quarto onde ele acabou assassinando três delas, enforcando-as com os próprios sutiãs.
No ano 2013, a comunidade local de Los Angeles se assustou com mais uma morte no prédio, novamente em condições misteriosas. Uma jovem de 20 anos chamada Elisa Lam foi encontrada morta dentro da caixa d’água do hotel, que era selada com uma tampa pesada, após hóspedes reclamarem do gosto ruim da água.
A última morte registrada foi no ano de 2015, com um cadáver sendo encontrado por funcionários do local após um suicídio dentro do quarto. Atualmente, o estabelecimento mudou o nome para Stay on Main para afastar a imagem macabra e a possível maldição que assombra o local…