A história da morte de Corinne Elliott Lawton é cercada de polêmicas. A escultura que lhe faz homenagem é considerada um dos monumentos mais notáveis e visitados do Cemitério Bonaventure, na Georgia, Estados Unidos. A moça foi enterrada inicialmente no Cemitério Laurel Grove, que foi seu primeiro local de descanso, sendo posteriormente transferida para o local atual.
Na época não existiam outros monumentos no lote da família, porém, anos depois, o local ganhou um novo monumento, o de seu pai que foi feito após sua morte em 1896. Fotos antigas revelam que o terreno da família foi dividido em quatro quadrados com um caminho separando cada um.
A escultura representa o reflexo do luto profundo de uma família que era muito feliz e unida. Corinne foi retratada, sentada sobre uma base, diante de uma cruz e com uma coroa de flores caída aos pés. Suas mãos descansam sobre suas pernas com os olhos voltados para cima, com uma expressão triste, em um momento congelado no tempo para sempre…
O escultor Benedetto Civiletti criou essa fabulosa obra de arte em seu estúdio em Palermo, na Sicília, no ano de 1879, usando como inspiração, fotografias e a lembrança dos pais enlutados para modelar a figura na qual os pais reconheceram uma semelhança notável.
Corinne era a filha mais velha do brigadeiro general confederado, Alexander R. Lawton. Ambos amavam as artes e costumavam viajar juntos internacionalmente para seguir e participar de exposições. Pai e filha, hoje descansam lado a lado. Ele ganhou um monumento próprio que fica ao fundo com vista para o rio, o qual apresenta uma escultura de Jesus Cristo no Portão do Céu…
O que atrai tantos visitantes ao túmulo de Corinne, é a beleza de sua escultura realista e poderosa, onde a tristeza foi perfeitamente retratada pelo escultor Benedetto Civiletti. No entanto, há ainda um motivo especial que desperta a curiosidade dos visitantes, a polêmica história por trás da morte de Corinne…
A história contada por anos, até mesmo através dos guias turísticos que levam os visitantes ao local, conta que em 1877, a jovem teria perdido a vida de forma trágica, depois de se atirar em um rio a poucos quilômetros de sua casa. Fato que jamais pôde ser comprovado e é considerado como ficção, uma história criada apenas para atrair mais visitantes ao local.
Os boatos diziam que a jovem, oriunda de uma família de grande prestígio na Geórgia, andava profundamente deprimida pois estava sendo pressionada a casar-se com um homem o qual não amava, tendo que abrir mão de seu verdadeiro amor, um relacionamento que não era do agrado de seus pais por ser um jovem de origem humilde e que isso a teria motivado a desistir da própria vida…
A história circulou pela cidade, em rodas de costura, conversas de chá da tarde e logo a mentira ganhou tanta força que resiste até os dias de hoje. No entanto, os registros de cartas antigas e até mesmo um diário que teria sido escrito por sua mãe, revelam a verdadeira história, a de que Corinne na verdade teria sucumbido a uma doença a qual não pôde ser identificada na época.
Nas cartas de solidariedade enviadas para a mãe de Corrine por seus amigos, é notório o carinho que sentiam pela moça ao se referirem a ela sempre de forma lisonjeira, tecendo-lhe elogios devido a sua cultura elegante e inteligência surpreendente, sem deixar de mencionar sua admirável espiritualidade e valores cristãos.
Uma historiadora chamada Ruth Rawls, descobriu uma informação incrível no diário de Sarah Gilbert Lawton, a mãe de Corinne. Ela transcreveu em seu blog trechos que fornecem uma visão mais detalhada dos pensamentos da senhora Lawton e do que realmente teria ocorrido naquela época…

Em uma das cartas de um amigo da família, que enviou palavras de solidariedade pelo falecimento de Corinne, ele chega a mencionar sua doença, o que descartaria a hipótese de que Corinne pudesse ter tirado a própria vida, desmentindo os boatos que se atreviam até mesmo a dizer que a jovem teria ficado amaldiçoada. Tanto no diário de Sarah, quanto nas cartas, nunca há menção de Corinne estar deprimida ou perturbada.
Os textos deixam explícitos os sentimentos de uma família amorosa e bastante unida. Estes documentos comprovam que Corinne esteve doente nas semanas que antecederam sua morte. Sua mãe alegou que por dez dias Corinne padecia do que ela acreditava ser um resfriado forte.
Outros membros da família também adoeceram. As anotações no diário mencionam a lembrança de Sarah de também ter sofrido do mesmo mal no verão anterior, mencionando ser uma doença muito grave.
As suspeitas são de que a jovem pode ter morrido vítima de uma pneumonia ou mesmo de febre amarela pois houve uma epidemia na época. Um dos visitantes que esteve na casa, morreu apenas algumas semanas depois de Corinne, tempos em que Sarah se referiu em seu diário como “dias de escuridão”…
Sarah chegou a detalhar em seu diário o momento em que sua filha deu seu último suspiro, às 7h40 do dia 24 de janeiro de 1877. Se Corinne tivesse se afogado como contam as lendas urbanas, como sua mãe saberia o último momento da vida de sua filha? Sarah Gilbert, mãe de Corinne, faleceu no dia 01 de Novembro de 1897 e seus restos mortais descansam junto a sua família.
Se de fato Corinne viveu a história de um romance impossível, isso jamais poderá ser esclarecido, no entanto, os registros deixam claro que a causa de sua morte não foi um evento trágico. Corinne morreu em sua casa, aos trinta anos de idade, de uma doença desconhecida e cercada de carinho por seus familiares e amigos que a amavam, durante os dias em que lutou por sua vida…
Seu epitáfio traz as seguintes palavras:
“Atraída para mundos mais brilhantes e liderou o caminho”…
Pesquisa e texto: Felícia Elen