O bem x o mal… (Relato 8)

O mundo é feito de dualidades… O par e o impar, o quente e o frio, o claro e o escuro, o Yin e o Yang… O Bem x Mal… O mundo jaz no Maligno e o ser humano é mal por natureza… Portanto “Orai e vigiai”, era o que todos nos diziam… “Tenham fé, tudo vai melhorar, você vai ver… Amanhã é um novo dia”…

Cansei de ouvir isso, já tava desanimado de tanto ver as coisas irem de ruim pra pior na minha família… Já nem tinha mais força, nem foco, nem fé… Já tava desanimado… Os médicos já tinham “desenganado” meu Pai… O câncer no fígado já tinha se alastrado para o pulmão, tinha varize no esôfago, devido à metástase, ele estava definhando…

Depois da maldição rogada pelo Tio Akira, meu pai caíra profundamente no alcoolismo, era sua fraqueza junto com o tabaco… Isso arruinou drasticamente sua saúde… O inimigo sempre opera nas brechas de nossas fraquezas carnais… Tio Akira nos amaldiçoou… Usou Magia Negra, Macumba, fez Despachos, as forças ocultas e o sobrenatural que ele evocou, agiu profundamente em nosso lar…

Era questão de meses pro meu pai morrer… Assim mostraram todos os exames de saúde… Assim afirmaram todos os médicos especialistas… O mal tinha prevalecido, a maldição rogada contra minha família, acertara em cheio o pilar mestre de nosso Lar…

Meu Pai iria sucumbir em breve… Questão de tempo… Era dificil aceitar, mas ele estava morrendo… O sobrenatural agia obscuramente e pra mim, já não existia mais esse lance de “dualidades” pelo menos em casa… Lá não existia 2 partes, só existia uma mão única, lá só existia o mal…

Triste…
Triste…

Todos vivemos batalhas espirituais diárias, é o comum, é o normal, mas infelizmente sob o nosso teto só existia o MAL… O BEM já havia sucumbido… E sem o BEM, perdemos também a ESPERANÇA… Sem esperança, havíamos então perdido definitivamente a guerra…

Testemunhamos várias ocorrências sobrenaturais, fatos que não tinham explicação nenhuma, como o hálito do meu pai, que exalava aguardente mesmo em jejum matinal, mesmo em jejum absoluto, a boca dele cheirava pinga mesmo estando sem beber há alguns meses…

Durante todo o tratamento, era terminantemente proibido a ingestão de álcool, e ele cumpriu rigorosamente essa ordem médica… Então como explicar o cheiro de cachaça que pairava no quarto, na sala, na cozinha, nos cômodos de minha casa ??? Minha casa cheirava bar…

Minha casa era grande, o terreno era enorme, então para facilitar a comunicação à distância, entre meu pai e a gente, usávamos uma sineta, um sino de pequeno porte que meu pai balançava sempre que precisava chamar alguém…

Ficava sempre sobre o criado mudo dele, muito próximo e de fácil alcance, e em três vezes pelo menos, essa sineta sumiu do quarto e foi encontrada no fundo da gaveta de um outro cômodo, localizado no extremo oposto do corredor… Não tinha sino… meu pai gritava bravo… Sobrava para a gente… Como foi parar lá ??? Sem explicação… Mistério….

Minha mãe, guerreira, sábia, daquelas mulheres que fortalecem e edificam o lar, tratou logo de buscar ajuda espiritual, uma vez que a medicina do homem, a chamada ciência racional, já não dava mais solução para o caso…
Chamou a benzedeira para orar na casa e benzer meu pai e ela de pronto já nos atendeu !!!

Teríamos enfim o retorno da “Dualidade” em questão… Teríamos de volta o equilíbrio entre as forças do BEM e do MAL… A benzedeira que já nos auxiliara outras vezes, estava agora envolvida diretamente na nossa batalha espiritual diária !!! Vou chama-la carinhosamente de Dona Benê, (derivado de “Bem” e Benzedeira) era uma mulher forte, tanto fisicamente quanto espiritualmente, de voz grossa, de fala imponente, rebatia o mal durante suas rezas dentro de casa.

Com toda a autoridade, se dispôs a expulsar o mal e toda atividade diabólica que estava estabelecida em minha casa, para isso ela precisava de tempo, fator que não tínhamos pois meu pai estava morrendo… Dona Benê praticou muitas atividades de limpeza espiritual em casa e também fora dela…

Após várias batalhas espirituais, tanto ela quanto sua irmã tiveram problemas graves de saúde… Muita energia diabólica foi absorvida por ela, eu vi ela desmaiar na minha frente, vi ela cair de cabeça e machucar sua testa, vi ela sangrando, chorei junto com ela, chorei junto com minha mãe… Meu pai também chorou…

Da dualidade, Dona Benê era o Bem, que degladiava ferozmente contra o Mal… Dona Benê chorou conosco… Dona Benê sangrou pela gente… Dona Benê ficou muito mal… Quase morreu antes do meu próprio pai… Ela se doou de tal forma que estava espiritualmente em “trapos”, acabada… Ela estava quase morta…

Nessa época, tinhamos uma Caravan Comodoro, carro grande e espaçoso, rebatemos o banco, de modo que a traseira do carro virou uma “cama”, usamos colchonete para poder acondicionar Dona Benê deitada… Viajamos… Levamos ela pra Ubatuba, onde conseguimos uma casa e lá ela tomou banho de mar, banho de descarrego, banho natural de sal, banho providencial, banho para limpar sua Alma, banho de Vida… Dona Benê se recuperou… Meu pai também…

O tratamento de saúde voltou a ter eficácia e os médicos que deram alguns meses de vida para meu pai, se espantaram com o progresso na recuperação… Melhorou muito !!! Mas…

Poderia muito bem criar um Final Feliz aqui, mas não acabou bem… A realidade é dura !!! Meu pai faleceu cinco anos após… Mas hoje eu creio que a morte dele foi natural, morreu em paz, sequelas do período do extremo consumo de álcool e cigarro…

Fizemos o melhor, tenho a consciência tranquila… Hoje o pessoal pergunta porque sou careta… Porque não bebo e não fumo… Tenho meus motivos… Tive minhas próprias batalhas… Poucos conhecem minha história…

Essa é uma história real, contada por Cláudio T. Suzuki para o blog Superno.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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