O estranho cachorro…

Houve uma época em que minha esposa e eu moramos em uma propriedade afastada da cidade. Tudo o que precisávamos, como ir ao médico ou fazer compras por exemplo, dependia de carro. Tudo era muito distante.

As propriedades vizinhas eram bem afastadas. Nós escolhemos esse lugar para morar porque estávamos em busca de tranquilidade e queríamos esse contato com a natureza já que ambos somos aposentados.

Nossa única companhia eram os animais, três gatos e em especial nosso cachorro Thor, uma mistura de rottweiler que adotamos desde que era um filhotinho.

Apesar do ar fresco pela manhã e da vida tranquila junto à natureza, costumávamos nos recolher cedo, pois quando anoitecia, coisas estranhas aconteciam por lá. Nesse texto, vou relatar apenas uma delas, a mais assustadora, talvez eu conte outras histórias em uma outra oportunidade.

Uma noite, minha esposa e eu já estávamos deitados, quando escutamos alguém arranhando a porta da cozinha. Achei estranho porque o Thor sempre dorme conosco ao lado de nossa cama, mas os arranhões eram muito semelhantes aos de um cachorro arranhando a porta pedindo para entrar.

Levantamos, minha esposa e eu e procuramos o Thor pela casa, mas não o encontramos, então na hora deduzimos que por um descuido, poderíamos ter esquecido de colocá-lo pra dentro. Fui até a porta e a abri. No entanto, quando eu olhei, não havia ninguém, nem cachorro e nem humano, nada.

Fiquei alguns minutos chamando pelo Thor, pensei que ele poderia ter corrido e se embrenhado na mata. Eu queria encontrá-lo o mais rápido possível. Aquela escuridão me causava arrepios, mas se o Thor estava lá fora, eu precisava trazê-lo pra dentro, eu sabia que alguma coisa muito ruim rondava aquele lugar à noite.

Quando eu já estava desistindo e me virando pra entrar, vi a silhueta de um cachorro no meio da escuridão. Eu chamei o Thor e disse:

“Vamos rapaz, venha pra dentro, vamos, rápido!”

Aquilo passou tão rápido por mim que eu só vi um vulto entrando pela porta.
Mais tranquilo, entrei e estava fechando as trancas da porta, quando senti um cheiro muito estranho, difícil descrever bem, mas era um cheiro pútrido e enjoativo. Eu ainda estava tentando assimilar o cheiro quando comecei a ouvir um ruído estranho, como o som de alguém com dificuldades para respirar, uma espécie de chiado.

Vou confessar, nessa hora eu não queria olhar de jeito nenhum , mas eu sabia que tinha que olhar. Me virei devagar e vi algo que nunca vou esquecer enquanto eu tiver vida. Aquela coisa estava dentro da minha casa. Era um ser muito semelhante ao meu cachorro, mas era como se “aquilo” não tivesse conseguido tomar a forma do Thor com perfeição, era meio deformado. Os olhos, eram fundos e vazios, não tinha o brilho da vida. Aquilo urinou no chão da cozinha enquanto emitia aquele chiado horroroso.

Eu gritei para que minha esposa não viesse até onde eu estava, a mandei entrar no quarto, trancar a porta e ficar quieta. Mantive a calma e destranquei todas as trancas da porta da cozinha. Então eu abri a porta e comecei a fazer orações e a ordenar que aquele ser saísse da minha casa, disse a ele que eu não o autorizava a entrar na minha casa, que ele tinha que ir embora.

Aquilo que antes havia entrado correndo como um vulto, se arrastou até sair pela porta como se nada estivesse acontecido. Quando fui fechar a porta, já tinha desaparecido. Tranquei tudo novamente e subi até o andar de cima, bati na porta do quarto e pedi que minha esposa a abrisse.

Quando ela abriu, vi que o Thor estava no quarto com ela. Minha esposa disse que o encontrou amedrontado embaixo da cama.
Meu cachorro sentiu alguma coisa e se escondeu, o que quer que tenha sido aquilo, nos deixou apavorados naquela noite. Hoje a propriedade ainda nos pertence, mas não moramos mais no local…

Essa é uma história real e foi enviada por um leitor do Blog Superno. A identidade das pessoas envolvidas nessa história foi mantida em sigilo.


Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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