As garrafas assassinas…

Muitas mães vitorianas, embora sem dúvida pretendessem fornecer os melhores métodos de alimentação para seus bebês, acabaram tragicamente causando-lhes a morte, com as garrafas que ganharam o apelido de “garrafas assassinas”.

Essas garrafas eram mais populares durante a era vitoriana no Reino Unido, porque as mães da época achavam que ter uma mamadeira que poderia ajudá-las a alimentar seus filhos, era uma dádiva de Deus.

Embora muitas mulheres continuassem a amamentar seus bebês, a mamadeira oferecia uma alternativa para as mães que não podiam amamentar, não podiam pagar uma ama de leite ou que queriam a liberdade de não ter a obrigação de amamentar em tempo integral.

Em uma época em que os espartilhos eram populares e amamentar um bebê, mesmo com um espartilho de maternidade ou de amamentação, era considerado um “desafio” para algumas mulheres, havia a preocupação em tentar manter uma imagem perfeita da casa e de sua aparência pessoal.

O surgimento de marcas famosas, deram às garrafas um ar de qualidade e segurança, o que trazia uma certa tranquilidade para as mães da época. No entanto, elas jamais poderiam imaginar os perigos ocultos nas inocentes mamadeiras, que eram feitas de vidro ou mesmo barro com um tubo de borracha que ia do bico ao fundo da garrafa, um dispositivo perfeito para criar bactérias.

Não só eram muito difíceis de limpar, mas muitas mulheres vitorianas seguiam os conselhos da Sra. Beeton, que em seu livro, muito popular na época, ensinava que não era necessário lavar o bico por volta de duas ou três semanas, o que favoreceu a ploriferação de bactérias mortais, resultando na morte de muitos bebês.

Embora muitos médicos tenham condenado corretamente as garrafas, os pais continuaram a comprá-las e usá-las até 1920, apesar de terem sido proibidas pela primeira vez em Buffalo, Nova York, em 1897, onde adquiriram o apelido de “garrafas assassinas”.

Após a condenação generalizada por comunidades médicas nos Estados Unidos e no exterior, muitas outras cidades e estados seguiram o exemplo. Essa foi uma época sombria para os bebês, pois apenas dois em cada dez viveriam para ver seu segundo aniversário.


Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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