Os brownies…

Quando eu era mais jovem, costumava ficar na casa de minha falecida avó paterna quando meu pai estava trabalhando. Minha vó nasceu na Escócia e ainda cultivava algumas de suas tradições. Um dia, ela não conseguiu encontrar as chaves do carro, que ela religiosamente colocava em seu claviculário quando não estava em uso. Ela tinha um chaveiro muito peculiar com strass azuis e vermelhos. Depois de vasculhar a casa em vão, ela parou no meio da sala, cobriu os olhos e pediu aos “brownies” que devolvessem as chaves.

Um “brownie” ou “broonie”, é um espírito doméstico do folclore escocês. Dizem que eles saem a noite enquanto os donos da casa estão dormindo e realizam várias tarefas domésticas. Os humanos donos da casa devem deixar uma tigela de leite ou creme ou alguma outra oferenda para o brownie, geralmente perto da lareira.
Os brownies podem ficar facilmente ofendidos e abandonar a casa para sempre se acharem que foram insultados ou de alguma forma explorados. Eles são muito travessos e costumam punir ou pregar peças em empregados preguiçosos.

Diz a lenda que jamais se deve deixar um brownie irritado pois se isso acontecer eles podem ficar malvados e se transformarem em demônios. Então ela recitou uma certa rima, mas não me lembro das palavras. Lembro que ela olhou para o meu rosto boquiaberto e sorriu. Nós duas nos viramos e lá na mesinha de centro estavam as chaves! A casa da minha vó era muito limpa e estava sempre bem arrumada, não havia outras pessoas ou animais de estimação que pudessem ter tirado as chaves do lugar.

Nós duas sabíamos que a mesa de centro estava vazia a menos de um minuto antes. Ela pegou as chaves e partimos em nossa missão, mas ela deixou um copinho de leite na bancada da cozinha como um “obrigada”. Na época não me ocorreu questionar, soube do que se tratava isso bem mais tarde.


Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

Deixe um comentário