O outro eu…

Esse relato será um pouco longo, mas espero que vocês possam ler até o final. Quando eu tinha dez anos, meus amigos da escola sempre diziam que me viam no banheiro do primeiro andar da nossa escola todas as manhãs. Eles diziam que eu ficava de frente para o espelho observando meu rosto. Segundo eles, as vezes “eu” falava sozinho, mas nenhum deles sabia dizer sobre o quê esse “eu” falava, era algo incompreensível.

Não acreditei em nada do que eles diziam, sempre imaginei que devia ser a imaginação deles, ou que eles estavam em acordo para me pregar uma boa peça. Eu confesso que no começo isso era engraçado e até divertido, mas depois de ouvir essa história algumas vezes fiquei enjoado. Depois de um tempo, foi ficando chato, a “brincadeira” perdeu a graça.

Depois de alguns meses, os relatos da aparição da minha cópia pararam. Sua existência se afastou completamente da minha vida diária e eu pensei que finalmente eu ficaria em paz, acreditei que meus amigos tinham se cansado de tentar me pregar uma peça, inventando essa história de um “clone estranho com a minha cara” caminhando por aí.

Por muitos meses, ninguém mais me incomodou ou me parou para dizer que me viram naquele banheiro, até que um dia, uma freira (era uma escola católica) se aproximou de mim. Ela estava com uma expressão séria e me falava sobre as regras da escola e que os alunos do ensino fundamental como eu não tinham permissão para usar o banheiro do primeiro andar, que era especificamente para alunos do jardim de infância. Eu pensei, tudo bem, e balancei a cabeça em um movimento afirmativo para mostrar que eu estava entendendo

Então ela me disse: “Eu sempre vejo você lá, espero não voltar a vê-lo fazendo isso novamente, que essa tenha sido a última vez”, algo nesse sentido. Eu me lembro de ter calafrios naquela hora, como assim? Aquilo me assustou de verdade. Como podia ser uma brincadeira dos meus amigos se até a freira tinha visto?

Quando cheguei em casa, contei tudo para minha mãe, ela ficou bem surpresa e preocupada. Não sei o que minha mãe fez depois disso porque ela não comentou nada comigo, mas desde que eu contei a história para ela, já se passaram oito anos e nunca mais ouvi ninguém falar de um “outro eu” andando por aí.

Essa é uma história real, a identidade dos envolvidos nessa história foi mantida em sigilo.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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