A mulher demônio da floresta…

Esse é um dos relatos mais assustadores já enviados ao blog Superno. A identidade dos envolvidos nessa história foi mantida em sigilo.

O que eu vou contar aqui é extremamente perturbador, não falo sobre isso há muitos anos, essa é uma história triste a qual ainda me afeta, mas agora resolvi contar de forma anônima.

Isso aconteceu há alguns anos atrás, nessa época eu era um novato no exército, estava em meu primeiro ano de serviço e foi quando conheci as pessoas envolvidas nessa história que aqui vou chamar de soldado Mendes e soldado Brito.

O soldado Mendes e o soldado Brito se tornaram meus melhores amigos na época, levamos essa amizade para fora dos portões do quartel, costumávamos ir a casa um do outro, fazer churrascos aos fins de semana e dar passeios pela cidade.

Como eu sempre tive muita curiosidade com assuntos paranormais, esse era um dos assuntos sobre os quais conversávamos pois eu e o soldado Brito compartilhávamos o mesmo interesse, já o soldado Mendes era muito medroso quanto a isso, até ouvia as histórias que contávamos a noite no alojamento do quartel, mas sempre ficava impressionado e nós as vezes tirávamos sarro disso, vez ou outra armávamos alguma brincadeira para rir do medo do soldado Mendes.

Então, um dia um de nossos colegas de quarto nos contou uma história arrepiante sobre um local assombrado em uma cidade próxima. Segundo ele, o local havia sido o cenário de um fato tenebroso, lá havia sido local de desova onde foram encontrados vários corpos humanos e que todas as pessoas que iam até o local sentiam algum tipo de incômodo, o clima era bem pesado.

Havia uma pequena casa feita de madeira como uma cabana que era cercada por floresta de todos os lados, o acesso ao local só era possível de automóvel. Naquela noite alguns ficaram bem assustados com os fatos contados por esse colega, no entanto outros duvidaram da história e como ele havia dito a localização da tal casa, surgiu da parte de alguns o desafio de nos reunir em um dia de folga e ir acampar no local.

De imediato alguns colegas se recusaram, no entanto, os mais metidos a corajosos aceitaram o desafio, eu confesso que me senti um pouco constrangido em demonstrar medo e me comprometi a ir nessa “missão”. O soldado Brito foi um dos que aceitaram prontamente, no entanto, como era de se esperar, o soldado Mendes não queria ir, mas durante a semana insistimos para que ele fosse, fizemos uma certa pressão para que ele aceitasse.

Bom, até a chegada do fim de semana, da tropa de corajosos que toparam o desafio, só restaram cinco realmente dispostos a passar três noites no local. Iríamos na sexta feira e voltaríamos na segunda pela manhã. A viagem de ida foi animada, os caras estavam rindo e fazendo piadas sobre o que possivelmente encontraríamos por lá, mas o soldado Mendes ficou a viagem toda em silêncio.

Não foi fáçil encontrar a cabana, o GPS simplesmente não reconhecia a existência do local, rodamos em círculo por mais de duas horas, então foi preciso encontrar um posto para reabastecer. Voltamos para a estrada de novo seguindo as coordenadas que nos foram passadas para encontrar o local, e uns vinte minutos depois de saírmos do posto, avistamos ao longe o que parecia ser a pequena casa. O estranho nesse fato é que já havíamos passado várias vezes pelo mesmo local e não tínhamos visto a tal cabana que repentinamente parecia tão visível a nossos olhos.

Pegamos então uma estrada de chão para chegar até lá e entramos mata á dentro. Alguns minutos depois o clima começou a ficar muito frio. O dia que estava ensolarado minutos antes de pegarmos essa estrada de repente ficou nublado, os sons da cidade foram ficando para trás e tudo ficou em um silêncio arrepiante, os caras até pararam de conversar, parecia que todos estavam estranhando aquele o lugar.

Depois de uns quarenta minutos pela estrada de terra mata à dentro, finalmente chegamos na citada cabana. Não tinha muita coisa, era uma armação de madeira já sem janelas e portas. Estava vazia mas muito suja, com insetos e mato crescendo por dentro. Como tínhamos levado barracas, ficaríamos ali mesmo, acampando em volta da tal cabana.

Ao cair da noite fizemos uma fogueira, estávamos nos divertindo, bebendo, assando carne e contando causos. O soldado Mendes no entanto era o único que parecia não estar se divertindo, então ele se levantou e foi para a barraca tentar dormir, ele parecia realmente incomodado por estar ali.

Passamos a primeira noite na mata, confesso que depois do frio que enfrentamos ali eu já estava começando a concordar com o soldado Mendes de que aquilo tudo era uma péssima ideia. Levantamos tarde no dia seguinte, alguns com ressaca devido a bebedeira da noite anterior.

Nos reunimos para o café da manhã e todos estávamos moídos e com uma cara horrível, ninguém tinha dormido bem. Foi então que no meio da conversa notamos que o soldado Mendes ainda não tinha saído da barraca, então fui até lá para acordá-lo. Bom, ao chegar na barraca fiquei em choque, o soldado Mendes não estava lá. Ficamos sem entender, para onde ele teria ido? Ficamos nos perguntando se ele teria tentado ir embora sozinho devido ao medo que ele estava.

Decidimos fazer uma busca na mata em volta do acampamento e depois de passarmos a manhã toda procurando e chamando por ele sem sucesso, acabamos voltando exaustos para a cabana. Um de nossos colegas preparou o rango e comemos calados, aquilo tinha acabado com nosso fim de semana. Não podíamos ir embora sem o soldado Mendes, sem saber se ele estava perdido na mata.

Enquanto estávamos ali comendo, o soldado Brito quebrou o silêncio e relatou não ter conseguido dormir a noite toda. Ele disse ter passado a noite sonhando com uma mulher muito bonita, ela estava nua e tinha longos cabelos negros e uma pele muito branca. Ele contou que ela o seduzia e o chamava para entrar na mata e seguí-la. Então ele disse que acordava e depois quando dormia de novo o sonho continuava.
Bom, o relato do soldado Brito fez gelar os meus ossos, porque naquela noite eu tinha sonhado exatamente a mesma coisa, e o mais chocante é que todos naquela tarde disseram ter sonhado com a mesma coisa, a mulher nua de cabelos negros que os convidava a entrar na mata. Como isso era possível? Como todos nós tivemos o mesmo sonho? Então me veio a cabeça que o mesmo poderia ter ocorrido ao soldado Mendes e que ele poderia estar perdido na mata.

Decidimos que o passeio havia terminado, iríamos buscar apoio, chamar a polícia e informar o ocorrido no quartel. Alguma coisa muito estranha estava acontecendo ali e nós não iríamos ficar para saber o que era. Juntamos nossas coisas, desmontamos as barracas, colocamos tudo no carro, o plano era volta e pedir ajuda para encontrar nosso amigo.

No entanto, alguma coisa estava conspirando contra nós, o carro simplesmente não ligava. Não havia nada de errado, tínhamos combustível mas o carro não ligava. O dia se passou, começou a escurecer então sentimos que não havia outro jeito a não ser passar mais uma noite ali.

Foi então que no meio da madrugada, alguém entrou na minha barraca. Eu senti uma pessoa se deitando do meu lado no meio da escuridão. Bom, o clima já estava suficientemente estranho, e como minha identidade será mantida em sigilo nesse relato, me sinto confortável em dizer que nessa hora eu gritei como uma garotinha.

Todos acordaram, eu estava em choque, não parava de gritar, alguém chegou com uma lanterna e então quem estava lá? O soldado Mendes.
Ele estava horrível, a pele estava branca, parecia acinzentada, os olhos vidrados e com olheiras. Ele estava todo cheiro de picadas de insetos e cortes pelo corpo como tivesse se ferido nos galhos das árvores. No entanto, o mais assustador é que ele parecia estar sob o efeito de alguma substância ilícita o que eu achava improvável pois o soldado Mendes era muito certinho. Ele estava eufórico e muito falante, bem diferente de seu comportamento antes de desaparecer.

Começamos a interrogá-lo e foi então que ele contou uma história que só de lembrar me arrepia até hoje…

Ele contou que no meio da madrugada acordou com uma voz feminina chamando por ele. Nisso a voz chamou umas três vezes até que ele saiu da barraca. Então ele conta que viu uma mulher muito bonita que estava nua mas seus longos cabelos negros cobriam-lhe o corpo e então ela disse a ele que ele precisava ir com ela. Então ele a seguiu e depois disso teria passado todo aquele tempo tendo conjunção carnal com ela, até que ela teria dito a ele que era hora de voltar e foi assim que ele chegou até a minha barraca.

Bom, ele ficou surpreso quando dissemos que ele estava desaparecido por um dia inteiro, porque na cabeça dele só haviam se passado alguns minutos. Como o carro ainda estava com defeito, tivemos que passar a terceira noite no local, nessa hora nosso passeio de fim de semana já havia se convertido em nosso pior pesadelo, já podíamos considerar que essa era uma emergência, estávamos ferrados.

Em nossa última e mais sinistra noite naquele lugar, os rapazes começaram a beber, não creio que sem a ajuda do álcool conseguiriam passar mais uma noite naquele local. Até o soldado Mendes que não bebia, bebeu naquela noite. Eu estava em choque, não coloquei uma gota de álcool na boca, mas os outros beberam até não aguentar mais, ao cair da noite, cada um foi para sua barraca.

Eu não consegui pregar o olho, todas as vezes que eu cochilava eu tinha pesadelos horríveis. Bom, acabou que o dia amanheceu e eu só tinha conseguido dar pequenos cochilos. Ao acordar, sai da barraca e esperava ver o pessoal reunido para o café da manhã, mas qual não foi minha surpresa ao ver que ninguém havia acordado. Então eu fui olhar dentro das barracas e para meu desespero, todas estavam vazias. Agora todos estavam desaparecidos, não havia ninguém no acampamento eu estava sozinho.

Nessa hora eu desesperei, comecei a chamar o nome de todo mundo, tentei ligar o carro e nada, nesse dia eu gastei todas as orações que eu conhecia. Bom, algumas horas depois eu vi alguém surgindo de dentro da mata, era o soldado Brito. Corri em direção a ele que me olhou assustado, sua expressão era a de alguém que tinha acabado de ver um fantasma.

Então ele me contou que no meio da madrugada ele ouviu uma voz feminina chamar seu nome, sim, exatamente como foi com o soldado Mendes. Ele saiu e viu que os outros estavam todos de pé e diante deles haviam mulheres belíssimas, todas nuas e com longos cabelos. Ele então contou que todos entraram na mata e uma dessas mulheres começou a beijá-lo.

Ele percebeu que o mesmo acontecia aos outros mas ele não pensou na hora em rejeitar aqueles “carinhos”, segundo ele era como uma hipnose. No entanto, ele conta que depois de algum tempo tendo conjunção carnal com aquela mulher, ele começou a se sentir fraco, era como se ela estivesse retirando as forças dele, ele disse que começou a sentir uma depressão profunda, que começou a se sentir um nada, sentiu vontade de morrer e nisso ele viu que tinha alguma coisa errada, então ele começou a lutar com aquela mulher e nessa hora ele conta que viu seu belo rosto se transformando. O rosto dela foi murchando como se tivesse envelhecendo, todo o corpo ficou assim, e ela começou a exalar um cheiro de carne em decomposição, então após conseguir se livrar da criatura, ele reuniu as forças que ainda tinha e voltou para o acampamento.

Bom, sabíamos que os nossos amigos estavam na mata e em perigo, não tinha alternativa, nós tínhamos que buscá-los para tentar sair daquele lugar horrível. O soldado Brito se lembrava do caminho e fomos juntos. Em determinado trecho encontramos nossos amigos. Todos estavam nus e deitados no chão no meio das folhas secas e das pedras, todos estavam com escoriações e muitas picadas de insetos.

Eles pareciam em transe, então os sacudi e os chamei pelo nome. Ao acordar eles pareciam não saber porque estavam nus e nem como tinham chegado ali. Voltamos para o acampamento, colocamos tudo no carro novamente, decidimos caminhar a pé até a estrada, no entanto, o carro simplesmente voltou a funcionar, sim, do nada! O carro que não dava sinal de vida voltou do nada a funcionar.

Subimos por aquela estrada de chão em total silêncio, ninguém dizia uma palavra sequer, a sensação era horrível. Depois disso algo mais estranho ainda aconteceu, chegamos a estrada em menos de dez minutos, mas na ida parecia uma eternidade, como chegamos tão rápido na estrada?

Bom, eu não queria nem saber, eu só queria chegar em casa e esquecer que aquilo tudo aconteceu. Depois disso não tocamos mais no assunto um com o outro, creio que meus amigos ficaram envergonhados, ou era medo mesmo, mas o soldado Mendes nunca mais foi o mesmo depois daquilo. Ele passou a ter crises depressivas fortíssimas, chegou a ser internado algumas vezes, os médicos chamavam de “alucinações” o fato de ele relatar estar sendo perseguido e atormentado por uma “mulher demônio”, mas nós sabíamos a verdade.

Meses depois daquele fim de semana, em uma manhã de janeiro, o corpo do soldado Mendes foi encontrado sem vida em sua casa. Sua mãe o encontrou em seu quarto com um lençol em volta do pescoço.

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Publicado por feliciaellenbueno

Musicista (cantora, compositora e produtora musical), escritora, filósofa, blogueira, artesã, jardinista, polímata, autodidata. Amante das artes, da natureza e dos animais.

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