Antes de tudo quero agradecer ao blog Superno por me ajudar a contar minha história pois eu precisava colocar isso pra fora, eu precisava ser ouvida mas nunca tive coragem de contar isso pra ninguém.
Minha história é triste e assustadora e eu espero não ser julgada pois a maior pena eu pago todos os dias da minha vida.
Quando eu era adolescente eu me tornei muito rebelde, dei muito trabalho para minha mãe, uma senhora cristã, muito temente a Deus que foi abandonada pelo meu pai assim que ele soube que ela estava grávida de mim e desde então, minha rainha me criou sozinha, debaixo de muito sofrimento e humilhações mas nunca deixou que me faltasse nada.
Porém, nessa época eu não sei o que deu em mim, eu criei uma grande revolta do mundo e descontei tudo na minha mãezinha que não tinha culpa alguma. Eu me tornei um monstro, eu a culpava por tudo, até por meu pai ter nos deixado, eu dizia a ela que ela não prestava nem pra segurar um homem, que nenhum queria assumí-la, quando na verdade ela se afastava de seus pretendentes por medo de colocar alguém pra dentro de casa que pudesse me fazer mal.
Eu criticava tudo o que ela fazia, as vezes ele vinha conversar comigo, perguntar como tinha sido meu dia na escola, e eu a ignorava, nem respondia, as vezes eu ouvia seus soluços de choro indo embora após ser ferida por mim, meu Deus! Eu feria aquela santa mulher…
Depois que eu fazia essas coisas, eu sentia uma dor no coração, eu não sabia porque eu fazia aquilo, eu não queria fazer mas era mais forte que eu.
Então, quando eu cheguei ao ensino médio, conheci um cara com quem comecei a namorar. Esse rapaz era metido com umas paradas erradas e foram contar pra minha mãe que não gostou e me proibiu de vê-lo e isso me deu um ódio terrível dela, então eu disse a ela que gostaria muito que ela morresse, ela nada falou, mas eu vi a expressão de tristeza em seu rosto.
Um dia ela estava na cozinha preparando o almoço enquanto cantava uns louvores. Eu, possuída por um sentimento ruim, me aproximei dela, a chamei pelo nome (eu não a chamava de mãe quando queria provocá-la), e perguntei:
“Se eu colocasse veneno na tua comida, o que aconteceria?”
A resposta daquela santa mulher desarmou o monstro dentro de mim, até hoje me dói lembrar daquela estupidez. Então ela me respondeu:
“Eu morreria filha, porque eu te amo e confio em você, se você me desse o que comer eu comeria, pois eu nunca desconfiaria de você”.
Eu confesso que eu não esperava por aquela resposta, eu esperava provocá-la, deixá-la triste ou enfurecida, mas aquela mulher estava cheia de paz dentro de si enquanto cantava seus louvores a Deus.
Eu fiquei confusa e zangada comigo mesma, porque eu fazia aquelas coisas com a minha mãezinha? Aquele anjo que só fazia o bem para mim? Será que eu estava possuída por algum demônio?
Eu pensei em buscar o aconselhamento do pastor da igreja, mas eu já não ia aos cultos há muito tempo, eu não queria ver a cara de ninguém da igreja então falei sobre isso com uma amiga da escola, que teve a idéia de fazermos uma seção de Ouija pra saber se havia algum espírito me assombrando. Fizemos uma vaquinha e compramos o tal tabuleiro e passamos a fazer escondido, depois da aula íamos para a casa de uma amiga e fazíamos sem que nossos pais soubessem.
Sempre tentávamos contactar mas nunca acontecia nada, chegamos a pensar que isso não passava de uma lenda, que era perda de tempo, até o dia em que a casa escolhida para fazermos a Ouija foi a minha.
Saímos da aula mais cedo nesse dia, minha mãe a essa hora, ainda não havia chegado do trabalho, teríamos por volta de umas três horas livres sem a presença de um adulto.
Iniciamos a seção como de costume e nada, ninguém respondia. Quando chegou a minha vez de fazer a pergunta, no entanto, o indicador se moveu sozinho e todas nós levamos um baita susto. Uma amiga ficou apavorada e não deixou o indicador formar palavra alguma, fechou o tabuleiro correndo.
Nessa hora algo assustador aconteceu. As janelas da minha casa, que estavam trancadas a chave se abriram todas ao mesmo tempo e um vento muito forte tomou conta da sala chegando a balançar nossos cabelos.
Minhas amigas ficaram em pânico, foram embora e me deixaram ali sozinha. Eu senti muito medo, mas não quis dizer nada para minha mãe. Depois disso o tempo foi passando e nada de anormal aconteceu, a não ser algumas vezes em que eu tinha a sensação de estar sendo observada quando ficava sozinha em casa. Segui com minha vida, entrei na faculdade e devido aos estudos eu via cada vez menos a minha mãe. Os fins de semana que eu podia passar com ela eu me ocupava em sair com os amigos da faculdade e dentre eles meu novo namorado, o Heitor.
Eu estava vivendo a melhor época da minha vida, tudo estava dando certo pra mim, eu viajava com os amigos, conheci vários lugares do mundo, estava sempre nas festas e vivendo a todo vapor minha juventude até que uma ligação colocou um freio em tudo isso, fez meu mundo desmoronar em segundos, foi como se o chão tivesse se aberto debaixo dos meus pés.
Minha irmã me ligou, minha rainha havia recebido um diagnóstico de câncer em estágio avançado. O desespero tomou conta de mim que estava no trânsito nessa hora, indo encontrar uns amigos, mas imediatamente mudei meu trajeto e fui ver minha mãe.
Chegando lá, ela estava calma e serena mas eu desabei a chorar, eu a abracei e pedi perdão a ela por todas as coisas que eu havia feito de ruim. Há muito tempo eu já havia mudado minhas atitudes com minha mãe, eu já havia pedido perdão outras vezes antes, mas era como se eu nunca mais conseguisse ficar livre dessa culpa, ela sempre dizia que me perdoava mas eu não conseguia me perdoar.
Esse diagnóstico mudou tudo na minha vida, deixei as festas de lado e nos fins de semana eu estava com ela, foram dois anos de batalha pela vida dela, dois anos de muita dor, muita incerteza, de desespero. Então minha rainha se foi…
Depois disso eu entrei em um abismo sem fim. Tive uma forte depressão, abandonei a faculdade, passei a sobreviver a base de ansiolíticos. A culpa me destruía por dentro, eu pensei que fosse enlouquecer. Então, nessa época coisas estranhas começaram a acontecer no meu apartamento.
Uma noite eu estava deitada em minha cama e a Tv estava ligada, quando eu tive a impressão de ver uma pessoa passando pelo corredor que ia dar na sala. Achei aquilo estranho e me levantei.
Olhei dentro do outro quarto, na cozinha, e nada, então fui para a sala. Nessa hora eu fiquei em choque, eu vi a minha mãe em pé, de costas pra mim, parada de frente para um quadro na parede onde tinha uma foto de nós duas juntas.
Então eu a chamei de mamãe, ela não se virou. Chamei uma segunda vez e nada. Na terceira ela se virou, mas quando eu olhei seu rosto, não era ela, não havia um rosto mas uma espécie de buraco negro, e lá dentro desse buraco era como se fossem ventos fortes, como redemoinhos, eu ouvia um som bem alto de ventania, como se fosse um tornado ou algo assim, nessa hora eu soltei um grito bem alto e caí no chão.
Eu não sei se eu desmaiei, nem quanto tempo fiquei no chão, se por uma hora ou alguns segundos, sei que acordei no chão e chorei muito nesse dia. Depois disso, minha vida virou um pesadelo, eu passei a ver coisas no meu apartamento. Em mais de uma ocasião eu via uma jovem que vinha correndo pelo corredor e se jogava da sacada, mas o pior de tudo era uma aparição que me dá calafrios até hoje só de lembrar.
Uma figura assustadora, enorme, meio homem, meio touro. Um ser de tom avermelhado, meio curvado com enormes garras. Minha mãe sempre me ensinou a expulsar demônios e eu até conseguia fazer isso, mas eles sempre voltavam.
Um dia, ao chegar em casa pois eu tinha ido ao mercado, encontrei a porta do meu apartamento aberta (não tinha sido arrombada) e minhas coisas todas reviradas, muitas coisas quebradas e jogadas no chão. Liguei para o Heitor desesperada e em prantos e ele me disse para não entrar no apartamento, para esperá-lo chegar que ele já estava ligando para a polícia.
A polícia não soube dizer o que havia acontecido. Não havia digitais e as câmeras de segurança mostraram que ninguém esteve no meu apartamento a não ser eu mesma. Fiquei como louca, acharam que eu fiz aquilo, que estava tentando chamar a atenção.
Nesse dia resolvi buscar ajuda. Procurei padres e pastores, mas ninguém queria se envolver, todos ficavam atemorizados quando ouviam meu relato e diziam que não poderiam me ajudar.
Eu já estava perdendo a esperança quando por acaso encontrei com uma amiga que eu não via há anos. Ela era justamente a amiga que estava conosco no dia da seção Ouija e foi ela quem eu contei que fechou o Tabuleiro. Ela me contou que há uns meses atrás aconteceram coisas semelhantes com ela após a perda de seu bebê, ela perdeu um bebê no quarto mês de gestação e depois disso ela começou a presenciar atividade paranormal, inclusive ela viu a mesma aparição, a figura bizarra de pele vermelha, meio homem meio touro.
Então ela me disse que um pastor, um senhor de idade que aqui chamarei de Vincent, foi quem a havia ajudado e me passou o contato dele. Entrei em contato com o Pastor Vincent, e ele prontamente aceitou me ajudar. No dia marcado ele veio a minha casa. Estranhei aquele homem pequeno de cabelos grisalhos que andava com dificuldade e pensei em como ele iria enfrentar aquele monstro tão poderoso?
Mas eu estava enganada, havia mais poder naquele homenzinho do que em um exército armado. Aquele senhor orou no meu apartamento junto com o rapaz que o acompanhava. Ele conseguiu expulsar aqueles demônios. No último dia, enquanto ele fazia suas últimas orações, o vidro de um relógio antigo que eu havia comprado em um antiquário rachou de alto a baixo. Depois disso a atmosfera do meu apartamento mudou, eu senti paz pela primeira vez em anos, senti uma sensação de esperança a qual já não experimentava há muito tempo.
Ao levar o Pastor Vincent até a porta eu não parava de agradecê-lo, fiquei tão feliz que eu queria apertar num abraço aquele homenzinho, mas ele parou de falar por um minuto e ficou em silêncio como se estivesse escutando algo, então ele se virou para mim e disse essas palavras:
“Filha, a tua mãe te perdoou, eu te perdoei, agora se perdoe”.
Eu não havia contado pra esse senhor sobre minha mãe, eu nunca contei pra ninguém sobre a culpa que eu sentia. Aqueles demônios passaram a assombrar o meu apartamento, mas o pior demônio estava dentro na minha mente, era esse o que tinha o maior poder e estava me destruindo, ele era a culpa que estava me matando aos poucos.
O Pastor Vincent ajudou a expulsar os demônios que assombravam meu apartamento, mas foram aquelas palavras que derrotaram o demônio dentro de mim, a culpa que não me deixava viver, eu senti Deus falando comigo através da boca daquele humilde senhor.
Depois disso tudo se acalmou, consegui me erguer novamente, me perdoei e segui com minha vida, nunca mais vi nada sobrenatural.
O Pastor Vincent explicou que no dia em que fizemos aquela seção Ouija, nós invocamos um demônio que entrou na nossa dimensão e trouxe outros com ele. Eles ficaram nos observando e esperando uma oportunidade, quando ficássemos fragilizadas por algum evento para nos atacar, no nosso caso, meu e da minha amiga, foi o luto. Ele disse que nós poderíamos ter morrido, eles queriam nos levar a loucura e ao suicídio. Nunca se deve mexer com o desconhecido.
Essa foi a minha história, espero que possa servir de exemplo para que vocês nunca façam as besteiras que eu fiz na vida.
Eu tenho certeza que foi Deus que te salvou, a Fé é a coisa mais importante do mundo.
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