Relato enviado a Superno…
Essa história se passou há alguns anos atrás, época em que fui ficar com minha vó em outra cidade. Nem eu e nem minha família gostamos de tocar nesse assunto que já estava “enterrado” há muitos anos até agora, quando decidi enviar este relato a vocês do blog Superno porque acredito na seriedade desse site e que minhas informações ficarão em sigilo.
Bom, esse fato aconteceu com a minha vó, que era descendente de alemães e que aqui nesse relato vou chamar de Marta. Ela teve quatro filhos, dentre eles minha mãe que aqui chamarei de Olga.
A medida em que os filhos da vó Marta foram se casando, cada um foi saindo de casa e seguindo seu caminho. Como não poderia ser diferente, minha mãe, a Olga se casou e saiu da casa da minha vó em 1981, indo morar com meu pai em uma cidade próxima a cidade onde minha vó morava, em uma casa que meu pai havia herdado de sua mãe já falecida e onde eu nasci um ano depois.
Os anos se passaram e meu avô ficou muito doente, vindo a falecer em junho do ano de 1997. A vó Marta ficou muito abalada com a morte do meu avô pois eles já estavam casados há muitos anos, praticamente a vida toda, se conheceram muito jovens e eram muito unidos.
Nos primeiros dias, uma tia ficou passando um tempo com ela lá e as vezes minha mãe, a Olga, ia pra lá passar os fins de semana com ela. Com o passar do tempo, cada um seguiu com sua rotina e minha vó Marta foi ficando cada vez mais só e alguns meses depois, após a morte do meu avô, coisas estranhas começaram a acontecer…
Eu era adolescente na época e me lembro de tudo como se tivesse acontecido ontem. Um dia estávamos em casa e o telefone tocou, era o tio Adam, o único filho homem da vó Marta e o mais apegado a ela. Ele falou pra minha mãe que a vó Marta não andava bem da cabeça, andava falando coisas estranhas e eles queriam levá-la a um psiquiatra.
Na hora eu não dei muita importância a isso, eu não sabia direito o que estava acontecendo. No fim de semana minha mãe, meu tio e minhas tias foram para lá, eles iriam se reunir para saber o que fazer, então fiquei em casa com meu pai.
Como minha mãe trabalhava, ela não podia ficar lá com minha vó, então quando ela voltou pra casa ela me perguntou se eu podia ficar uns dias com minha vó, eu estava de férias na escola nessa época e para mim pareceu muito interessante sair da rotina e viajar para ver minha vó. Minha tia que morava mais perto se comprometeu a passar por lá de vez em quando para dar uma olhada e minha mãe iria aos fins de semana, então eu concordei, apesar de morar longe da vó Marta eu a amava, ela era uma senhora muito gentil e amorosa.
Cheguei na casa da vó Marta em um domingo com meus pais. Fazia tempo que eu não ia lá, a última vez havia sido no enterro do meu avô e tudo parecia um pouco abandonado desde então. A casa da vó Marta sempre foi muito bonita e bem cuidada, ela sempre se orgulhou dos belos jardins floridos em sua propriedade que ela mesma cuidava e que naquele dia pareciam abandonados e sem vida.
No outro dia bem cedo meus pais foram embora, fiquei alí com a vó Marta e como eu poderia imaginar, ela sempre meiga e amorosa me preparou um rico café da manhã com seus famosos pães caseiros e eu que sempre fui curiosa comecei a fazer perguntas sobre o que estava acontecendo.
Meus pais haviam pedido a ela que não tocasse no assunto comigo, mas a vó Marta me parecia muito lúcida, eu realmente não entendia porque achavam que ela estava louca, não fazia sentido, então insisti com ela até que finalmente a conveci de me contar toda história e o que vocês vão ler agora é uma história arrepiante vivida por minha avó Marta.
Ela me contou que alguns meses após a morte do meu avô, ela começou a passar longos períodos sozinha. Meus tios demoravam muito a aparecer por lá e a casa da minha vó ficava em um local um pouco isolado, onde as propriedades eram grandes, então não tinha vizinhos muito próximos.
Ela disse que depois que ele se foi, ela passou a sentir calafrios, as vezes tinha a sensação de estar sendo observada quando estava na cozinha. No começo ela não deu importância, mas em uma noite, ela conta que uma coisa muito estranha aconteceu. Ela não se lembrava exatamente do horário mas achava que já passava da meia noite quando ela ouviu alguém bater na porta. Ela conta que ficou com muito medo pois como eu falei, os vizinhos são um pouco distantes e ninguém tinha o costume de bater na porta dos outros uma hora daquelas.
A vó Marta então gritou perguntando quem era e ninguém respondeu. Muito assustada ela acendeu a luz da luminária de fora e foi até a janela para olhar, ao puxar a cortina ela viu que havia uma mulher estranha parada na frente da porta. Ela disse que ela tinha um cabelo despenteado e volumoso com fios pretos e grisalhos, era muito magra, estava descalça e vestida em uma roupa que parecia uma camisola de hospital. Então a vó Marta gritou da janela:
“O que você quer”?
Como a mulher nada respondeu ela gritou de novo:
“olha, eu vou chamar a polícia”.
Nessa hora a mulher olhou pra ela e veio caminhando até a janela. A vó Marta conta que ela olhou para o rosto dela e ficou toda arrepiada, o rosto da mulher era muito palido e seu corpo estranhamente magro, parecia que ela não se alimentava há muito tempo. A vó marta contou que os olhos dela eram fundos, não dava pra ver a parte branca, pareciam ser buracos escuros.
Então a mulher disse pra ela:
“Abre a porta dona, estou com fome e com frio, me deixa entrar pra me aquecer por caridade”.
Naquela época do ano realmente fazia muito frio, mas a vó Marta contou que ela sentia que havia algo de muito errado com aquela mulher e que ficou com medo, então embora meu avô tivesse morrido a vó Marta disse a ela:
“Senhora, vá embora, aqui não podemos lhe dar abrigo, meu marido já está dormindo e não gosta de estranhos, a senhora terá que procurar outro lugar para passar a noite…”
Mas a mulher continuou a insistir e novamente minha vó disse que ela não poderia entrar. Então a vó Marta contou que quando ela negou pela segunda vez a mulher mudou seu semblante e fez uma cara de muito ódio e disse:
“Não importa, eu vou entrar de qualquer jeito”…
Depois disso, a mulher soltou uma gargalhada sinistra, se virou e subiu a rua caminhando devagar.
Passaram uns dias e ela até esqueceu desse fato. Então um dia ela estava cuidando do jardim que ficava bem na entrada da casa dela e ela sentiu que estava sendo observada. Ela se virou e quem estava lá? A mulher! Ela disse que a viu parada de longe, olhando pra ela. Minha vó gelou e correu pra dentro de casa, quando ela olhou pela janela, a mulher tinha sumido, não havia nem sinal dela. Depois disso meu tio Adam soube do acontecido e levou uns amigos lá que vasculharam a propriedade, falaram com vizinhos mas ninguém sabia de uma mulher com aquela descrição.
Porém a vó Marta continuou a ver a mulher e cada vez que ela a via era em um local cada vez mais perto da casa.
Em uma dessas vezes a vó Marta estava varrendo as folhas que caíam das árvores no quintal quando do nada ela sentiu um arrepio, e um vento congelante que espalhou as folhas do monte que ela havia juntado.
Então ela olhou para o lado e lá estava a mulher, ficaram cara a cara, e ela contou que a mulher então abriu a boca de um jeito que nem parecia possível e soltou um grito. A vó Marta disse que correu tão rápido que chegou a cair no degrau da escadinha de madeira que tinha na entrada e ligou para o tio Adam que chamou a polícia. Todos foram até lá, a vó Marta precisou ser medicada, deram calmantes para ela, mas depois de horas procurando pelas redondezas, a polícia, meu tio e os amigos que ele levou, não encontraram nada, nem sinal de mulher alguma.
Depois desse dia, meus tios e minha mãe começaram a se convencer de que a mulher só existia na imaginação da minha vó. Eles estavam convencidos de que a vó Marta, estava com algum problema psicológico devido ao luto e que ela precisava de um psiquiatra. Decidiram que ela não poderia mais ficar sozinha e que ela deveria vender a propriedade e ir morar mais perto dos filhos, mas a vó Marta amava aquela casa, ela não queria sair de lá, então ela comprou um cachorro e disse que não ia sair da casa dela.
Porém o que viria a seguir seria realmente assustador, e eu fui uma testemunha de tudo…
Depois desse episódio a vó Marta decidiu que não iria contar mais nada para os filhos porque eles achavam que tudo era coisa da cabeça dela, e ela não queria que eles a tirassem de casa, então ela contou que uma noite, ela estava sentada no sofá assistindo Tv e de repente ela ouviu um barulho no trinco da porta e ficou assombrada quando viu a porta que ela havia trancado se abrindo lentamente. Ela ficou paralisada pois meu tio Adam havia instalado umas trancas nas portas dias antes e a porta simplesmente estava se abrindo.
Então a vó Marta contou que a bizarra mulher surgiu da porta de entrada e entrou dentro da casa, atravessou a sala e subiu as escadas em direção aos quartos. A vó Marta ficou completamente paralisada e quando a mulher entrou no quarto dela, foi como se ela tivesse sido “descongelada”. Ela pegou o telefone e ligou para a polícia que a encontrou chorando do lado de fora de casa. Mais uma vez a polícia não encontrou ninguém na casa e a vó Marta percebeu que ninguém acreditaria nela e isso a deixou muito triste.
Depois disso a mulher começou a viver com ela dentro da casa. A vó Marta a via passar pelos corredores, entrar na cozinha, nos quartos e até deitar em sua cama. A tal mulher passou a dividir a casa com minha vó como se fosse uma inquilina.
A vó Marta não falava mais nada, se algum filho perguntasse ela dizia que estava tudo bem, que nunca mais tinha visto a mulher e foi aí que eu entrei nessa história.
Meus tios e minha mãe Olga, achavam que tudo era fruto da imaginação da vó Marta, e como ela andava muito deprimida e já não era mais a mesma senhora alegre e animada, então decidiram me deixar lá para passar um tempo com ela, pois se tudo era coisa da cabeça da minha vó eu não corria nenhum perigo.
Confesso que depois que ela me contou a história e que eu soube que havia uma “inquilina” indesejada dentro da casa me deu uma vontade enorme de sair correndo de lá, mas ao olhar para a vó Marta, aquele anjo em forma de pessoa vivendo aquele pesadelo eu pensei que não poderia deixá-la sozinha. A vó Marta sempre foi muito religiosa, e foi nessa época que eu acabei me tornando uma pessoa de fé, o amor que eu tinha pela minha vozinha me encheu de coragem, aprendi muito com ela naqueles dias, eu não abandonaria minha querida vó, então decidi ficar e lutar ao lado dela contra o que quer que fosse aquela coisa.
Não sei porque mas eu parecia ser a única pessoa da família que acreditava na vó Marta, ela não parecia louca para mim e decidi investigar o que estava acontecendo. As vezes estávamos conversando e rindo e de repente a vó Marta ficava séria e em silêncio e eu perguntava se ela estava vendo a mulher e ela dizia que sim, as vezes passando pelo corredor, as vezes entrando em algum quarto, a criatura transitava pela casa como se fosse uma moradora.
Uma noite, eu estava no quarto da vó Marta porque estávamos ali conversando e vendo um filme, mas ela acabou pegando no sono. Como eu queria ver o final do filme fiquei ali com ela antes de ir para meu quarto.
De repente, enquanto eu estava distraída com o filme ouvi uns gemidos desesperados, percebi que a vó Marta estava tendo um pesadelo e me virei para olhar e o que eu vi me arrepia até hoje, só de lembrar sinto um gelo na espinha…
Finalmente eu vi a tal mulher, exatamente como a vó Marta descreveu, uma figura assustadora, com uma cabeleira densa com fios negros e grisalhos. A cabeça, mãos e pés eram grandes, desproporcionais a sua estrutura corporal esquelética e os olhos eram como buracos negros, não havia luz naqueles olhos e a coisa estava ajoelhada em cima da vó Marta a sufocando. Eu fiquei em choque mas ao mesmo tempo fiquei revoltada de ver aquele monstro machucando minha vó, então me levantei e comecei a expulsá-la com muita autoridade e com toda minha força e a coisa virou aquela cara bizarra pra mim e quando ela me olhou eu comecei a falar mais alto e mais forte e ela foi ficando transparente, virou uma fumaça e sumiu.
Acordei a vó Marta e contei tudo a ela, nem precisa dizer que nenhuma das duas dormiu naquela noite. No outro dia contei tudo para a minha mãe que mesmo um pouco cética cedeu aos meus apelos desesperados de levar pessoas alí para limpar o lugar. Depois disso a criatura se foi, nem eu nem a vó Marta a vimos novamente. Anos depois a casa foi vendida após a partida da vó Marta.
Esse é meu relato sobrenatural, espero que tenham gostado.
Esse é um relato exclusivo de Superno e protegido pela lei de direitos autorais. Curta nossa página nas redes sociais e participe do nosso grupo.